20051227

Sobre as crianças mortas no incêndio de Gaia.

Num jornal, lia-se «Segurança social perdeu o rasto das duas crianças de Gaia há cerca de um ano». Passe o humor negro, dir-se-ia que nunca mais o encontrarão.

Na verdade, quando uma desas situações ocorre, torna-se recorrente procurar responsáveis institucionais, para além dos óbvios (quando os há): as comissões de protecção de crianças, a segurança social, o ministério público, os tribunais, os ministros, etc. Provavelmente, todos eles terão a sua parte de responsabilidade. É para evitar estas tragédias que tais instituições existem. Mas, não será utopia exigir ou esperar isso, quando os tribunais de menores têm de recorrer à boa vontade (e, muitas vezes, à boa disposição) de instituições particulares de solidariedade social (nomeadamente religiosas)?
Quando acabará o cinismo cabotino dos "crucificadores do sistema" (afinal, de todos nós), criando-se, finalmente, uma rede nacional de casas de acolhimento de urgência e temporário de crianças em situação de perigo?
Talvez um dos estádios do Euro 2004 chegasse. Ou uma pista do novo aeroporto da Ota, quem sabe...

Shalom Haver


À memória de Ithzak Rabin. Talvez contigo o mundo fosse diferente.

20051226

Nunca Mais


A imagem foi publicada no l'Humanité hebdo de 3/12/2005.

O esplendor do colonialismo francês, actualizado (na realidade o ano era 1904). Tanto faz.
Para que se repense o futuro das relações Norte-Sul (whatever it means).
Em todo o caso, um Bom Ano 2006.

20051117

Urbanismo e Cidadania


Quando o campo não era semeado de casas, nem por isso as pessoas eram mais saudáveis. Definitivamente, não eram mais felizes. Dir-se-ia que (lhes) era indiferente a maior harmonia e complementaridade entre o Homem e a Natureza. Hoje, reclama-se um retorno a paradigmas (ecológicos e económicos) que, afinal, não resultavam aquando da sua vigência. Ou será que se pretende mais uma experiência na contemporaneidade?

20051114

Serviço de Manutenção

Salvador Dali, Batalha.


A Europa é assaltada por fora (Ceuta, Melilla, Tarifa, Bari, Sicília, Trieste, etc).
Arde por dentro (França, Bégica, Alemanha ?).
O malaise de alguns habitantes da Europa (que não se sentem europeus) é um fenómeno interessante, sociologicamente falando, é claro. Nada interessante para os donos dos carro incendiados e os polícias feridos por hordas de jovens inadaptados (conceito politicamente correcto), por alguém chamados de «escumalha».
A Europa assiste, enfim, às consequências de uma descolonização que julgava resolvida. Abandonada ao subdesenvolvimento, à corrupção e à cleptocracia, África explodiu demograficamente e emigrou para as potências coloniais carecidas de mão-de-obra.
Hoje, a explosão é dentro da Europa. A demográfica e a outra.
Madrid (11 de Março) e Londres (7 de Julho) serão crises agudas de um sindrome crónico que afecta o sistema mais conseguido de integração (??).
A "israelização" da Europa é um facto consumado?

20051104

Em boa hora

Norman Rockwell (World Peace)

Apesar de:

- o presidente do Irão querer «riscar Israel do mapa»;
- Sarkozy teimar em nada entender do que se passa na periferia excluída de Paris;
- os subsaarianos e asiáticos ficarem a um olhar do sonho europeu,

haverá (mesmo) motivos de esperança?

20051016

Direito e Justiça em abundância?

A uma Sociedade de Direito em abundância, pode não corresponder um Estado de Justiça em abundância. É assim em Portugal, como é assim noutros países.
Tudo depende da organização do sistema judiciário e das implicações do sistema jurídico.
Para um nível terciário das estruturas e das relações sociais continua a oferecer-se um sistema judicial de cariz primário.
Tal estado de coisas interessa a alguém.
Os operadores judiciários deveriam ser os mais inconformados com essa situação e exigir as inadiáveis mudanças.
Não se entende porque o não têm feito.

20051015

Fim-de-Semana

Hoje vou para fora (cá dentro).

20051009

(IN)DIGNIDADE

O Reino de Marrocos «despejou» no deserto centenas de pessoas, depois de estas terem sido deportadas pelo Reino de Espanha, por tentarem «assaltar» os enclaves do «sonho europeu» de Ceuta e Mellila. Alguns morreram. Outros ficaram feridos, debilitados, humilhados. Sobretudo, ficaram despojados da sua humanidade (já que nada tinham mais). Esta aviltante atitude de um regime autoritário só foi possível porque um estado europeu o permitiu.
A gravidade do assunto tem vindo a ser escamoteada.
Mas, em rigor, bem se pode dizer que é um «Abu Grahib» da Europa.
Revoltante. É o mínimo que se pode dizer.

20051008

Viagens

As pessoas gostam de viajar. Quem não gosta? Mesmo de viagens interiores. Podem ser as mais surpreendentes.

20051006

VIVA A REPÚBLICA

Apesar de tudo.

20051005

Depois do Eclipse

Negus - Negros - Assalto - Cerco - Ceuta - Islão - Líbia - Turquia.

20050930

Ares


Há no ar um cheiro semelhante ao de fim de Regime. Ou de sistema.

Casamento


Lembra-te que um bom casamento depende de duas coisas: 1) encontrares a pessoa certa e 2) seres a pessoas certa.

H. Jackson Brown, Jr.

20050926

Homem-estátua

Alegre anunciou a candidatura à Presidência da República numa reunião política do PS (comício de apoio ao candidato à Câmara de Águeda pelo partido).
José Lello disse que a tinha «parasitado». A imbecilidade do despeito só é comparável à arrogância do poder absoluto.
Afinal, que PS é este?
Alegre é corajoso. E é o único candidato às presidenciais que (já) tem estátua.
Premonição?

Domingo, 25 de Setembro


«Não te deixes possuir pelas coisas que possuis».

H. Jackson Brown, Jr., Pequeno Livro de Instruções para a vida.

20050923

A nossa Escola

Há dias, fiquei estupefacto com o título do Manual de Francês do 7.º Ano, adoptado na Escola frequentada por uma das minhas filhas. «Kestudi». Isso mesmo, «Kestudi».
Sinceramente pensei que não tinha lido bem, que precisava de limpar os óculos, havia qualquer reflexo que me não deixava ler bem a palavra.
No entanto, confirmava-se: «Kestudi». Francês ou Esperanto? - interroguei-me.
Não, é mesmo: «Kestudi». Ilisão de «Qu´est ce que tu dis.». Ah, claro. Fiz-me de distraído.

Pois, compreendo que é nestas escolas que andem alunos cujos pais digam à frente de uma câmara de TV: «De momento que os teinham lá prezos, esta´tudo beinhe !!»

Refundar o Estado (de direito?)

Fala-se, como nunca, em «III.ª República», prognosticando-se uma «IV.ª»?
Há anomia na sociedade e no Estado. Estamos a viver a dissolução deste, como o conhecemos?
Há uma disrupção institucional?
Os cidadãos deixam de se rever em ideários mais ou menos desgastados, mas um governo de maioria absoluta parece não ter ganho, também (como lhe competiria) a mobilização daqueles. Só teria a ganhar se o conseguisse.
A desconfiança e o hipercepticismo ( e o hiperelativismo) adensam-se insustentavelmente.

Eu próprio não me sinto lá muio bem.

20050922

Simon Wiesenthal


«Justiça sim, vingança não».

Homens assim são os indispensáveis.
Obrigado, em nome dos homens.

20050917