Música de Moçambique para o Mundo.
20070728
20070727
Disse «Simplex» inconstitucional, Prof. Canotilho?
M.ª Manuel Marques - «ideóloga» do Simplex (no qual aquelas medidas se integram) e mulher do seu companheiro constitucionalista Vital Moreira - é que deve estar, a esta hora, a franzir o sobrolho. Não é caso para menos...
Mas, o que é isso interessa? O premiozito de «excelência»(?) já cá canta.
20070726
Pelourinhos contemporâneos
20070724
É impressão minha, de certeza
Khadafi, as enfermeiras búlgaras, o médico palestiniano e o «gesto humanitário»
A libertação, cujos detalhes se podem ver aqui, ocorreu depois de complexas negociações encetadas pela Comissão Europeia, que teve de abrir os cordões à bolsa com um milhão de Euros para as famílias de cada vítima, contra a declaração destas de que não havia oposição à comutação da pena (de morte, entretanto convolada para prisão perpétua) apesar de os «condenados» sempre terem protestado inocência e alegado tortura para confessar.
Depois disto, Sarkozy e Durão Barroso (sempre esse formidável filantropo) ainda vêm agradecer o «gesto humanitário» da Líbia.
É caso para perguntar: quem vai indemnizar os «condenados»?
20070723
20070722
Como se saboreasses a fome
como se visses o invisível
como se tacteasses o ar
como se ouvisses o silêncio
seriam improváveis
os teus trabalhos
se fossem esses
ou os que, outrora,
num registo reminiscente
procuraste desenvolver
pelo inverso mergulho
todo dirigido às constelações.
A «natalidade» depois do aborto?
Não sei se haverá algum resultado visível dessas políticas materialistas de subsídios, sem as complementar com um efectivo apoio social e com medidas de enquadramento consequente da maternidade/paternidade.
O que sei é que se devia ter começado por aqui, em vez de se ter começado a dar o sinal contrário, com a liberalização do aborto.
20070721
E ao 365.º post, a mudança
Este é o 365.º post dest blog.
Era altura de o alterar. Como se diz, de fazer um lifting, um reestyling, seja o que for.
Mudar é sempre bom. Para já, a imagem. Os conteúdos, talvez depois.
Opiniões serão bem vindas.
Aproveita-se para indicar este outro sítio onde também estarei, doravante.
20070720
As idades das pedras
das pedras?
elas que sempre estiveram ali
martirizadas, explodidas, aparelhadas
numa pedreira ou num muro
Existiu uma infância das pedras?
Das pedras
que pavimentam
as ruas e os sonhos?
Das pedras que guiam
a nossa memória
Existirá uma velhice
das pedras
que perdem qualidades
e se esboroam
por detrás da cal?
Que idade têm as pedras?
Saramago e a Ibéria
Saramago - já não é de hoje - defende a Ibéria e o iberismo, acreditando que um destino português na «grande Espanha» só teria vantagens. A ideia é repulsiva para um certo nacional-situacionismo, mas também entendo que em tempos de queda de tabus, nada deve ser sagrado. É de saudar o debate.
Saramago pode ter muitos defeitos: ser arrogante e vaidoso, presunçoso, estalinista, iberista, etc.; ninguém o pode acusar de hipócrita. A frontalidade e a sinceridade são apanágio dele, como de muitos outros. E não é isso que o fará redimir de tudo o mais.
No D.N. de 18/7/2007, F. Venâncio chamou-lhe «traidor» com todas as letras. E em castelhano.
Na carta aberta que lhe escreveu, revela que, tendo sido convidado para uma conferência na Galiza lhe terão pedido que falasse em português. Saramago não falou em português, não falou em galego, mas sim em castelhano.
Eu também acho que isso foi uma dupla afronta.
É que Saramago não ganhou o Nobel a escrever em castelhano.
20070719
Crime, dizem eles.
Como habitualmente, há opiniões «técnicas» para todos os gostos.
Há quem tenha dito que o facto de o aborto (continuar a) ser praticado num vão de escada «não autorizado» só configura um «mero ilícito administrativo», por falta de licenciamento para a finalidade (!!!).
Osvaldo Castro, essa inenarrável personagem (mas responsável por uma Comissão parlamentar !!), disse qualquer coisa como a questão ser de ordem regulamentar e «já não ser nada com a A.R.». Como se a definição do conteúdo de tipicidade e ilicitude criminal pudesse alguma ser relegada para o domínio regulamentar...
Parece que a Direcção-Geral de Saúde emitiu um parecer a defender o entendimento de que nessas situações há crime.
Eu pensava que a questão tinha ficado resolvida com a resposta no referendo.
20070717
Homens que são como lugares mal situados IV
[...]
Não levantemos os homens que se sentam à saída
Porque se movem em seus carreiros interiores
Equilibram com dificuldade uma ideia
Qualquer coisa muito nítida, semelhante
A uma folha vazia
E põem ninhos nas árvores para se libertarem
Da gaiola terrível, invisível muitas vezes
De tão dura
Não nos aproximemos dos homens que põem as mãos nas grades
Que encostam a cabeça aos ferros
Sem outras mãos onde agarrar as mãos
Sem outra cabeça onde encostar o coração
Não lhes toquemos senão com os materiais secretos
Do amor.
Não lhes peçamos para entrar
Porque a sua força é para fora e a sua espera
É a fé inabalável no mistério que inclina
Os homens por dentro
Não os levantemos
Nem nos sentemos ao lado deles.
Sentemo-nos
No lado oposto, onde eles podem vir para erguer-nos
A qualquer instante
[...]
Daniel Faria, Excerto do Livro de Homens que são como lugares mal situados, Fundação Manuel Leão, Porto, 1998
20070716
Máximas
Sabedoria árabe, Pergaminho.
20070715
Homens que são como lugares mal situados III
Homens que trabalham sob a lâmpada
Da morte
Que escavam nessa luz para ver quem ilumina
A fonte dos seus dias
Homens muito dobrados pelo pensamento
Que vêm devagar como quem corre
As persianas
Para ver no escuro a primeira nascente
Homens que escavam dia após dia o pensamento
Que trabalham na sombra da copa cerebral
Que podam a pedra da loucura quando esmagam as pupilas
Homens todos brancos que abrem a cabeça
À procura dessa pedra definida
Homens de cabeça aberta exposta ao pensamento
Livre. Que vêm devagar abrir
Um lugar onde amanheça.
Homens que se sentam para ver uma manhã
Que escavam um lugar
Para a saída.
[...]
Daniel Faria, Homens que são como lugares mal situados, Ed. Fund. Manuel Leão, Porto, 1998.
20070714
Pena de água
A pena de água é o direito que têm - ainda hoje - os vizinhos da freguesia de S. Victor, em Braga, de aproveitamento (comum) da água do complexo hidráulico-arquitectónico oitocentista das Sete Fontes.
Este conjunto monumental, aliás justificadamente classificado como Monumento Nacional, está presentemente ameaçado pelo projecto de uma variante com 50 metros de largura (de acesso ao novo Hospital), que, apesar de planeada em viaduto, terá impacto irreversível para todo o conjunto patrimonial, pois irá afectar a captação de água e pôr em perigo a estabilidade das construções e aquedutos.
E há uma, pelo menos uma das arcas de água que se sabe já que será inapelavelmente destruída. Chama-se a «mina dos órfãos», porque era a «mina» que abastecia a Obra do Colégio dos Órfãos (de S. Caetano), mandada edificar pelo seu benemérito Frei Caetano Brandão (arcebispo e senhor de Braga).
Vai ser destruída a «mina dos órfãos». É oficial.
Metáfora irónica de uma sociedade voltada para o imediato e indiferente à solidariedade.
Homens que são como lugares mal situados II
Homens que são como projectos de casas
Em suas varandas inclinadas para o mundo
Homens nas varandas voltadas para a velhice
Muito danificados pelas intempéries
Homens cheios de vasilhas esperando a chuva
Parados à espera
De um companheiro possível para o diálogo interior
Homens muito voltados para um modo de ver
Um olhar fixo como quem vem caminhando ao encontro
De si mesmo
Homens tão impreparados tão desprevenidos
Para se receber
Homens à chuva com as mãos nos olhos
Imaginando relâmpagos
Homens abrindo lume
Para enxugar o rosto para fechar os olhos
Tão impreparados tão desprevenidos
Tão confusos à espera de um sistema solar
Onde seja possível uma sombra maior
[...]
Daniel Faria, excerto do Livro Homens que são como lugares mal situados, Porto, 1998.
20070713
Uma certa hora do dia
é a hora do fecho das lojas
a hora de saída das caixeiras
a hora em que elas lavam as vidraças dos estabelecimentos
que trabalham
e mostram - quero acreditar que inadvertidamente - o interior gostoso
dos decotes
e o fundo tatuado das costas
a chatice é que,
depois,
entram nos carros dos namorados.
20070712
luz meridional
por ser um flamengo deslumbrado
pela luz meridional
ou, talvez, Gaugin
que retratou tão bem
os corpos lassos
das moças gentias
com os mares do sul
em fundo
eu, seguramente que não.
Desconsegui aproximar-me
com a mínima honesta fidelidade
da transparência esmeralda
desse mar pouco oceano
coroado por palmares
sibilantes
que silenciam
o chilrear dos bandos.
20070711
O volteio táctil
a obliquidade zenital
da sombra das árvores
com a sua contingência
excepto no equinócio
da tua vida
que é quando consegues
ouvir o volteio táctil
dos morcegos
20070710
Homens que são como lugares mal situados I
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem
Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas
Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas
Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar
[...]
Daniel Faria (1971-1999)
Excerto do livro Homens que são como lugares mal situados, Porto, 1998
20070709
sete - "maravilhas" - sete
Hoje são "maravilhas". Quem diria?
Atestou-se, além do mais, a "irrelevância maravilhosa" do continente africano (como se a mesquita de Tombuctu, as pirâmides do Egipto ou o "grande Zimbabwe" não existissem).
Ainda bem que não perdi tempo nenhum com aquilo.
20070708
Exortação animal I
as matérias líquidas
e perderias
o objecto corpóreo
dessa liturgia
sugiro-te que exortes
uma rola
ou uma lagartixa
e dá-lhe um nome de pessoa
como a um filho.
Terá sido aí?
Ruanda, nos Balcãs ou no Iraq?
Infindáveis nomes
de infinitos sofrimentos.
Nalgum destes lugares ressurgiu o mal
como método infalível de extermínio demencial?
Terá sido aí ou dentro de nós?
20070707
Polícias e bandidos
20070706
Benfica SAD (de olhos em bico?)
A consequência mais visível do incentivo feito na China pelo ministro da Economia, está à vista.
Lá, estimulou os empresários chineses a investir no País, por causa dos salários «competitivos» praticados em Portugal.
Eles, agora, não se fizeram rogados...
Parece que apareceu alguém para complicar os planos do Joe.
20070704
Let´s twin(s) again

As lógicas da simetria inspiram as práticas políticas actuais.
Há, hoje, um curioso movimento pendular em que as tendências do «fim da história», do «pensamento único» não se fazem mais em termos concorrenciais externos, mas em termos de concorrência osmótica.
A dita «esquerda» esvazia o espaço da «direita», ousando aplicar medidas programáticas desta, mas cujos custos sociais a levou a adiá-las ou a suavizá-las.
A chamada «direita» replica o modelo, esvaziando o espaço da «esquerda», implicando personalidades d(e) movimentos sociais e políticos das áreas da solidariedade e promoção da cidadania.
É isso que sucedeu em Inglaterra, em Espanha, em Portugal e, ultimamente em França (Sarkozy, que há pouco mais de um ano chamava «racaille» à juventude da banlieue parisiense, propõe-se hoje um inaudito programa de integração social desses jovens).
Com matrizes originárias diversas, os poderes político-governativos tendem hoje a um unanimismo de fusão meta-ideológica, que pode deixar os eleitores confusos.
É um cenário em que a imagem é decisivamente essencial. Logo, um contexto em que os media, motivados por interesses múltiplos, são um factor privilegiado de promoção dos protagonistas.
Os valores e as ideologias estão, definitivamente, não nas gavetas, mas nos anais da História.
A morte não é eterna
ferindo a areia lisa das praias
persistindo na memória
mesmo ao invés da razão
e há pessoas que são como chamas
cuspidas do brilho das estrelas
iluminando-nos os dias
e forçando-nos a viver
ainda que, por vezes, sintamos
que pode não haver amanhã
ou que a morte seja eterna.
20070702
20070701
Já abriu, mesmo
Finalmente, após dezassete (17) anos de prolongada espera...
Foi tamanha a espera que o site da instituição ainda não está actualizado.
Divulgue-se.
Cabotagem memorial
a memória litoral
na sombra rala das casuarinas
e sob um inclemente
Ilha de Moçambique II
Para reflectir e aprender.
Os meus agradecimentos a José Pimentel Teixeira. Um grande conhecedor.
20070630
20070629
Ilha de Moçambique
Só isso (como se fosse pouco...).
Para o caso de haver alguém interessado, aqui ficam estas notáveis considerações sobre as actuais circunstâncias da Ilha de Moçambique.
Essas notas são verdadeiramente notáveis, em diversas dimensões: de conhecimento e erudição, de afectividade e de estilo.
20070628
Os voos da TAAG
Aguarda-se a habitual «retaliação de reciprocidade» das autoridades angolanas, seguida da costumeira atitude de cócoras do governo português...
20070627
Amos Oz - Contra os fundamentalismos
20070626
Produtividade, segundo entidade isenta
LEMONDE.FR 26.06.07
quando a realidade supera a anedota
Maria de Lurdes Rodrigues, essa, a ministra da educação, vai ceder o lugar a...
Margarida Moreira, a tal directora regional não sei de quê do norte...
Andam muito imaginativos os nossos professores!
Quem diria?!
Hey, Joe

20070623
Sarkozy toma a iniciativa
Fadela Amara
20070622
20070620
inadvertência
que me deixei agrilhoar
à calma profundidade
do teu sereno entoar
as palavras
cálamo
na superfície líquida
destas minhas noites inquietas
dos meus dias equívocos
da minha apaziguada revolta.
(não se poderá voltar ao que nunca foi)
20070619
Máximas
Ramon Sampedro, «Carta aos senhores juízes»
20070618
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Erra uma vez
Ségo «divorce»
Ségo, a esfuziante estrela política do PS de França, ex-candidata a presidente da República Francesa, acaba de anunciar a sua separação do pai dos seus quatro filhos, François Hollande, ainda líder do PS, cujo cargo ela não esconde cobiçar.
Lembre-se que a candidata despediu, no início da campanha eleitoral, um conselheiro do seu staff por ter dito, em jeito de blague, que «o pior» de Segolène era mesmo o «seu companheiro». Veio agora, ao que parece, dar-lhe razão.
Eu sei que no torvelinho da campanha, dos debates e comícios, Ségo não teve tempo para pensar na sua vida sentimental. Mas uma pergunta me ocorre: se a senhora tivesse sido eleita P.R. pediria ao seu copain para se retirar do Eliseu?
Não me pareceria de muito bom gosto, madame Ségo.
20070617
Gaza «libertada»
Imagine-se o cenário: o Líbano sequestrado pelo Hezbollah, a Faixa de Gaza nas mãos do Hamas, a Autoridade (?) palestiniana pulverizada, a Síria espreitando, Israel cercado, o (novo) «Holocausto» está preparado. Será diferente.
Por essa altura, os mísseis do Irão já deverão poder armar ogivas nucleares. Nada ao acaso. Nada que não se soubesse.
20070611
20070609
«Diga a frase, p. favor»
(do SOL on line de 9/10/2007)
O excelso Barra da Costa, "à margem" de uma iniciativa científica séria, veio entornar mais um bocadinho (só um bocadinho) de veneno sobre o trabalho da PJ no caso do desaparecimento da crinça inglesa, afirmando que a investigação anda ao sabor das «dicas» e, se calhar - o que é pior - dos ditames de Downing st. 10, com a submissa aprovação do governo e da direcção nacional da PJ.
Já toda a gente percebeu que a PJ não consegue deslindar o caso. Anda literalmente "aos papéis", o que só vem renovar uma velha questão, que é a da adequação das polícias a novos métodos de investigação criminal e aos limites que a estes devem ser consentidos no âmbito da prevenção e do combate à criminalidade organizada, violenta e de carácter transnacional.
Mas também é precio dizer que polícia nenhuma do mundo é infalível. É certo.
Coisa diferente é a subserviência revelada pelas autoridades nacionais, ao cederem às exigências das britânicas no sentido de as deixar inteferir nas próprias investigações, o que me parece ser muito diferente da desejável cooperação policial e judiciária internacional naqueles domínios.
O governo e a direcção nacional da PJ deu um sinal de grande vulnerabilidade, incapacidade e servilismo que, a pretexto de captar a simpatia dos ingleses (!), irá custar muito caro: para já, saiu ferida a dignidade e o (justificado) orgulho da autonomia da PJ.
Para acompanhar a boutade de Barra da Costa, o pedido deverá ser George Michael ou Elton John?
Diga a frase! (como impunha o locutor num célebre programa de discos pedidos ...).
NOTA: Espera-se, apesar de tudo, que a criança inglesa, seja resgatada com êxito e em segurança.
20070608
Bolas para a província.
Mas, entretanto (na SIC Notícias), deu um - talvez bom, talvez mesmo excelente - exemplo daquilo a que se referiu: em tempos, «um procurador(-adjunto?) de Cascais integrou a comissão de honra (?) de um candidato à Câmara».
De uma assentada, viemos a saber que o candidato à Câmara era o Dr. José Lamego, que perdeu as eleições. Um anterior presidente da Câmara de Cascais, o sr. Judas, tempos depois, viu um processo em que era envolvido ser arquivado (parece que pelo mesmo magistrado!!...). O que parece é que o Conselho Superior do Ministério Público já apreciou essa situação e decidiu nada fazer. É, portanto, «caso julgado»...
Mas, mais interessante, ficámos a saber que a «província», afinal, começa em Cascais...
P.S.: o sr. Judas, não se soube bem porquê, entretanto, caiu em desgraça (no P.S.).
20070607
Os desafios da ETA e as hesitações do governo espanhol
Com esta opção, longe de sair reforçada a autoridade e legitimidade do Estado, o governo espanhol, talvez sem querer, dá mostras de grande tibieza, vulnerabilidade e hesitação.
Imagine-se o que terá de fazer quando for anunciada nova trégua...
20070605
20070604
Palavras incendiárias de um ex-director do «Luta popular»
Na denúncia criminal contra incertos apresentada hoje à tarde ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), José António Barreiros pede ao procurador adjunto que investigue os alegados crimes de denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva e abuso de poder subjacentes às declarações de Saldanha Sanches.
A queixa de José António Barreiros, que foi advogado das vítimas no processo Casa Pia, do ex-dirigente do Benfica Vale e Azevedo e de José Manuel Beleza, entre outros casos mediáticos, foi avançada hoje à noite pela Sic Notícias, à qual o jurista deu uma entrevista.
Em entrevista à revista Visão na passada quinta-feira, José Luís Saldanha Sanches, mandatário financeiro da candidatura de António Costa (PS) à Câmara de Lisboa, afirmou que "nas autarquias da província há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público (MP) pela estrutura autárquica".
"Há ali uma relação de amizade e de cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial", disse Saldanha Sanches, marido da directora do DIAP de Lisboa, Maria José Morgado, coordenadora das investigações do MP à corrupção no futebol no âmbito do processo Apito Dourado.
A Lusa tentou obter uma reacção de Saldanha Sanches, mas tal não foi possível até ao momento.
Contactada pela Lusa, fonte da candidatura de António Costa escusou-se a comentar o assunto, afirmando apenas que as declarações do mandatário financeiro apenas o vinculam a ele.
Na entrevista à Sic Notícias ao início da noite, José António Barreiros considerou que Saldanha Sanches "denunciou crimes" e que, perante esse facto, "ninguém poderia ficar indiferente", sustentando que "o sistema jurídico tem de tomar a sério" as declarações do fiscalista.
O advogado considera que as afirmações são de uma "gravidade incomensurável, vinda de quem vem", referindo que não poderia "ficar indiferente e desvalorizá-las".
"Não se contribui para combater a corrupção, proferindo frases incendiárias e que ajudam ao descrédito. Isso faz-se denunciando casos", afirmou o advogado.
José António Barreiros afirma que se assiste a "um descrédito progressivo da justiça, todo os dias sujeita a um campanha por parte dos políticos", e recorda que Saldanha Sanches falou à Visão na sua qualidade de mandatário financeiro da campanha de António Costa.
O advogado critica aquilo que diz ser "um processo de emporcalhamento sistemático do sistema judicial".
Na queixa, Barreiros sustenta que, a serem verdadeiras as afirmações de Saldanha Sanches, tal siginifica que "a liberdade de actuação do Ministério Público na província está cerceada", e que os magistrados do MP "de modo 'frequentíssimo' praticam crimes, por via da sua 'captura' pela 'estrutura autárquica'".
"O estar um magistrado capturado pela 'estrutura autárquica' só pode significar que estarão em causa situações em que tal 'estrutura' será passível, directa ou indirectamente, de responsabilização e que o Ministério Público actua em conformidade com a situação de 'capturado' por aquela estrutura", adianta.
Para José António Barreiros, "nenhum [magistrado], por mais alto que seja o cargo que desempenha, está excluído de tal imputação, nem o autor da mesma diferencia qualquer situação".
"A 'suspeita' criada pelo doutor Saldanha Sanches abrange pois um núcleo ainda indeterminado de pessoas, envolvendo as que se encontram actualmente na província ao serviço do MP e as que ali estiveram no passado", acrescenta, na queixa.
José António Barreiros, que se constituiu como assistente no processo, indicou Saldanha Sanches como testemunha "a toda a matéria da presente denúncia e a factos de que tenha conhecimento".».
Este folhetim traz à liça, mais uma vez, a tentação do protagonismo fácil de um cavalheiro que fez acusações gravíssimas, relativamente às quais só terá uma de duas saídas: ou as prova de forma concludente, e terão de extrair-se as consequências necessárias, ou não as prova, e ficaria - num país a sério - definitivamente desacreditado, podendo ser adequadamente responsabilizado pelas insinuações que fez.
Mas nada disso vai suceder.
Num país que não é realmente um país a sério (como o nosso), toda a gente vai, uma vez mais, "assobiar para o lado" e ignorar olimpicamente a questão porque nada se irá comprovar. E, mesmo que nada se prove, nada sucederá ao Dr. Saldanha Sanches, apesar de ter contribuído de forma proficiente, com mais uma potente atoarda para descredibilizar o já tão fragilizado e desacreditado sistema judiciário.
Mas esta rábula impõe uma reflexão. O cavalheiro que proferiu (na entrevista à Visão) as referidas acusações, é marido da Procuradora-geral adjunta que dirige o DIAP de Lisboa(estrutura do Ministério Público responsável pela investigação criminal e exercício da acção penal pública) e coordena a investigação de algumas sequelas do processo «Apito dourado» (M.ª José Morgado). Será que dispoe de informação cirurgicamente privilegiada para se referir ao «Ministério Público da província» (curiosa expressão provinciana de alfacinha pretensioso)?
Estaria ele a pensar no Ministério Público da Guarda, Nazaré, Felgueiras, Guimarães, Águeda, Porto, Gondomar e outros locais mais provincianos de que nem há notícia?
Seriam estas as «cumplicidades capturadas» entre as estruturas autárquicas e o Ministério Público?
Não, decerto conhecerá outros casos.
Os cidadãos exigem conhecê-los.
Saldanha Sanches deve, agora, um esclarecimento aos cidadãos «provincianos». Nem que seja num processo judicial.
Uma palavra final de grande apreço: Fez bem José António Barreiros, enquanto cidadão, ao instaurar um processo contra incertos para investigar as alegadas promiscuidades. Merece o meu incondicional apoio e aplauso.
Find Maddie: double standards, «Échelon» e o alastramento dos «inimigos».
As chamadas telefónicas onde era referida a "pequena menina loira" foram todas feitas em língua árabe num telefone pré-pago espanhol, adianta a edição dominical, que pertence ao grupo dos tablóides Daily Mirror e Sunday Mirror.
Segundo o jornal, nas conversas foram ainda encontradas referências a um homem alemão, a Marrocos, Holanda e Alemanha e ainda às travessias marítimas de Tarifa, de onde sai oito vezes por dia um barco com destino a Tânger, em Marrocos.
Estas pistas terão sido encontradas usando o "sistema espião Echelon", um programa que que consegue "ouvir palavras-chave e frases usadas em conversas telefónicas, e depois analisá-las", revela.
Os especialistas britânicos terão ainda percebido referências à visita dos pais de Madeleine na semana passada a Roma, onde foram recebidos pelo Papa Bento XVI, adianta.
Uma fonte próxima da investigação citada pelo jornal reconheceu que "a informação recolhida destas chamadas de telemóveis está a ser tratada muito seriamente", mas confessou que o facto de os telemóveis pré-pagos não estarem normalmente registados torna "difícil encontrar o rasto, o que é frustrante".
Mesmo assim, disse ao People que "pode ser muitíssimo importante" e indicou que a investigação pode virar-se para o Norte de África, onde uma turista norueguesa afirma ter visto Madeleine há três semanas em Marraquexe.
Mari Olli teria visto uma menina loira vestida de pijama num posto de abastecimento de combustível na companhia de um homem a quem terá perguntado em inglês: "Já posso ver a minha mãe?".
Dois agentes policiais britânicos especialistas em telecomunicações estão desde a semana passada na Praia da Luz para tentar identificar registos de comunicações de telemóveis que possam estar relacionados com o alegado rapto de Madeleine.
No passado, registos de comunicações por telemóvel encontrados pela polícia foram cruciais para provar a responsabilidade de Ian Huntley pelo homicídio de Holly Wells e Jessica Chapman, de 10 anos, em 2002 no Reino Unido.
Embora a polícia britânica esteja a colaborar e vários agentes tenham sido enviados a Portugal para ajudar nas investigações, as autoridades britânicas têm sempre recusado comentar o caso, alegando que a responsabilidade do inquérito é da polícia portuguesa.»
A notícia acabada de transcrever é uma autêntica «bomba jurídico-mediática» relativamente à qual, porém, ninguém dispensará mais do que um ou dois minutos de atenção (o tempo de a ler). Muito menos servirá de mote para um possível e oportuno debate sereno e sério em torno de questões como o papel dos serviços de informação e inteligence na investigação criminal, a cooperação judiciária internacional e os métodos especiais de investigação (p. ex. escutas telefónicas).
Com efeito, o rapto da criança inglesa Madeleine (há um mês) veio recordar esse pesadelo fantasmático que é o desaparecimento de crianças, e que paira(va) latente, apesar da digna, corajosa e persistente intervenção de Filomena Teixeira, mãe do Rui Pedro (o menino desparecido em 98 em Lousada).
No caso de Madeleine, os factos noticiados revelam que, afinal, mesmo sem suspeitos nem «arguidos» (figura estranha e tenebrosa, inventada por essa raça de gente pequena, preguiçosa e atrasada que dá pelo nome de "portugueses") fazem-se escutas telefónicas arbitrárias à escala mundial (de discutíveis resultados), e toda a gente aplaude, para tranquilizar o gáudio da turbamulta que, mais do que tudo, quer que se «faça alguma coisa», mesmo que se atropelem os mesmos «direitos», exactamente os «mesmos direitos» dos implicados num caso judiciário recente, em que se defendeu (sob a batuta de uma magnífica e bem orquestrada campanha político-mediática, cuja percurso ainda não terminou) a sua absoluta inviolabilidade, denegrindo-se a dignidade, a probidade e imagem pessoal e profissional dos investigadores.
Mas mais. Qual a validade - se não houver sido judicialmente autorizada, nos termos legais - probatória de tais registos de conversações telefónicas na Inglaterra? Em Portugal, tais escutas não são legalmente admissíveis, sendo crime a sua realização (art. 276.º do Código Penal português).
Portanto, a questão é mesmo essa: devem empreender-se todas as tentativas e mobilizar todos os recursos para esgotar as linhas de investigação num caso com estes contornos. Mas também nos outros que venham a suceder no futuro. Sem dúvida.
Mas estaremos dispostos a abdicar de um património normativo e civilizacional consolidado, que agora os supercivilizados e esclarecidos britânicos preferem ignorar, sob o pretexto de ineficiência das nossas autoridades?
O facto é que já deram mostras de o ter feito no caso do terrorismo. Agora, também no caso do desaparecimento de crianças. Amanhã em que situação?
O alastrar do espectro de «inimigos» (do direito) é uma sedutora tentação para aqueles que se propõem alcançar um estado de suposta segurança e eficiência investigatória, mas torna-se um flagrante retrocesso em domínios em que, bem recentemente, se rasgaram vestes pela sua inquestionabilidade.
A coerência, neste particular, é um valor como outro qualquer. Com o seu grau de relatividade, já sabemos. Não há valores puros e imutáveis.
Mas não ficará nada mal a quem andou a fazer figura de émulo dos «direitos fundamentais do arguidos» que agora se remeta a um prudente silêncio. Não é o meu caso. E, acreditem, não é por desprezar os direitos de defesa dos arguidos. Ao contrário: é por lhes pretender atribuir a sua real dimensão.
«Quem, para obter segurança, sacrifica a liberdade, acaba por perder as duas».
20070603
20070531
20070530
20070528
20070527
Causas
Hoje, no entanto, só me apetece defender uma causa: cultivar o esquecimento, ou, como escrevia S. Alba, «cultivar a surdina». Também tenho momentos destes.
Será isto a inconsequência na defesa das causas?
Não o fazia tão senil...
O presidente socialista explicou que um aeroporto na Margem Sul do Tejo implica passar sobre pontes e que estas podem ser destruídas por terroristas".
E eu, que afinal estava convencido que o «presidente socialista» advoga o «diálogo com os terroristas» e que não estaria particularmente preocupado com uma tal eventualidade...
Para se chegar a esta argumentação, o estado de desespero é total. Fica claro que não há mais argumentos para defender a Ota.
20070524
Felicidade
José Eduardo Agualusa, O vendedor de passados.
20070521
Às vezes, a realidade, a cores e ao vivo...
«No Médio Oriente, trocam-se acusações quanto à origem da recente onda de violência no Líbano, com Beirute a acusar a Síria de tentar destabilizar o pequeno país, e Damasco a negar qualquer laço coma a Fatah al-Islam que, por sua vez, é acusada pelos sírios de ter laços com a Al Qaeda de Osama Bin Laden.
Vários membros deste grupo radical islâmico foram detidos nos últimos dias. Entre os militantes contam-se cidadãos da Síria, Arábia Saudita e Argélia, bem como um libanês suspeito de ter estado envolvido na preparação de um atentado na Alemanha, no ano passado, que foi evitado pelas autoridades germânicas.
Poucas centenas de quilómetros a sul do Líbano, a situação não é melhor. Na Gaza palestiniana, continuam os confrontos entre os militantes radicais do Hamas e os moderados da Fatah, apesar dos apelos dos seus líderes para o fim dos combates.
Ao mesmo tempo, militantes do Hamas continuam a disparar rockets a partir de Gaza para a cidade israelita de Sderot, do outro lado da fronteira. Esta segunda-feira, uma mulher perdeu a vida quando o seu carro foi atingido por um destes mísseis.
Israel, entretanto, continua a responder às acções do Hamas e ameaça agora eliminar altas figuras do governo palestiniano, incluindo o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, membro do movimento radical.
Na Jordânia, no entanto, o Rei Abdullah apelou ao fim da violência no Médio Oriente. Em entrevista à BBC, o monarca afirmou que «dentro de dois anos, pouco restará de um possível Estado palestiniano» se prosseguirem as disputas internas. O rei da Jordânia aconselhou ainda Israel a ter «cabeça fria» e a não responder aos ataques do Hamas».
(SOL com agências)
Convém ter a noção que as coisas no Médio Oriente (e nomeadamente na Palestina) não acontecem por acaso e não são, exactamente, a "preto e branco"...
20070519
salazarismos de repartição
Que "foi no seu local e horário de trabalho..." invocou a zelosa burocrata, considerando a ocorrência um "insulto" (não se sabendo se o visado teve conhecimento da grave infâmia).
Alguém se admira que o "fantasma" de Salazar ganhe o concurso «grandes portugueses»?
20070518
Como «destragedear» a Vida?
A propósito do desparecimento da criança inglesa Madeleine, no Algarve - cujo esclarecimento se antevê como algo de complexo e, porventura, surpreendente - convoquemos o caso dessa autêntica «Mulher-Mãe-Ícone» Filomena Teixeira, cuja exemplar persistência na lembrança da ausência inexplicada e no esforço de resgatar um filho desaparecido em 4/3/1998, o Rui Pedro, é indesejavelmente, insuportavelmente inspiradora.
O extremo da dor da incerteza de não saber de um filho desaparecido é possivelmente (se é que a dor é mensurável) mais devastador do que sabê-lo morto.
Isso mesmo atesta Filomena, ao sentir e viver, também fisicamente, as consequências dessa trágica ocorrência.
Filomena, uma mulher que nos interpela a todos, de algum modo passivos cúmplices do mal que grassa nas nossas comunidades, quiçá nas nossas casas.
De uma forma singularmente bela e intensa, ela tem resistido a tudo com uma imensa dignidade, mas, sobretudo, tem resistido à indiferença, ao desânimo e ao conformismo. Merece mais do que qualquer pseudo-edificante homenagem, o reconhecimento da solidária dedicação a uma causa que teve que absolutizar, em prejuízo de outros interesses e de outras prioridades.
Continua, Filomena, a iluminar e inquietar as más (e também as boas) consciências oficiais (e as outras).
Tens que saber que te devemos muito. O teu exemplo é de uma impressionante e incomparável coragem.
És daquelas pessoas que um poeta disse, uma vez, serem as «indispensáveis».
Perante isso, como «destragedear» a vida?
20070516
Assim na Terra...
dos avatares sublimes
e de nos adentrarmos
nessa noite insone
inscrevendo
segredos ágrafos
em cânones sânscritos
era o tempo circular
desde a idade fundacional
à fusão do átomo
e de como não haver amanhã.
20070515
20070514
Talvez haja uma hipótese...
Libération on line, de 14/05/2007.
20070513
deusa acidental
terrena deusa acidental
incendiando esta mediterrânica
ordem previsível
e o voo sossegado das águias
na surdina
dum ambíguo destino
com a tua ausência
vais adiando
as pressas e anseios
ordinários
tua presença
seria, porém,
incerto sobressalto
numa duradoura
paz imperial
20070512
Mão morta - «Cantos de maldoror»
A ver no Theatro Circo, de Braga - 11 e 12 de Maio. 19 de Maio, no C.A.Espectáculos de Portalegre.
20070511
20070510
20070506
A morte, depois de amanhã...
Isto vem a propósito de ter ouvido dizer: "Amanhã, talvez vá a um funeral!...". Dito assim, parece que a morte é coisa programável. E é, de facto.
Alguém, em estado vegetativo e sem retorno a este mundo dos viventes, aguardava que desligassem as máquinas de suporte e apoio à vida.
Só que - desagradável contrariedade - o médico que deveria proceder à operação de «switch off» da máquina não pôde comparecer à hora aprazada. Resultado: a dita intervenção teve de ser adiada para um dia depois.
E, na verdade, o funeral só se realizou no dia seguinte.
20070505
Ahmadinejad goes liberal
Tinha ele fantasiado a vanguardista medida de autorizar a entrada de mulheres - grandes amadoras da modalidade, no Irão (mascarando-se de homens para se introduzir nos recintos desportivos, sujeitando-se a vexatórias penas) - nos estádios de futebol, quando sentiu recair sobre si as reprovadoras críticas dos ortodoxos.
Entretanto, as autoridades de costumes iranianos endureceram a política de padronização de vestuário "aceitável" e outros devaneios pró-ocidentais.
Anteontem foi, ao que li, severamente censurado pela atitude "indecorosa" e "quase lúbrica" de beijar a mão enluvada da sua velha professora.
Depois da libertação dos marinheiros ingleses e destas ideias, alguém teima em afirmar que o homem tem maus instintos?
20070504
Estímulo americano
O ministro da Justiça, A. Costa, apressou-se a classificar a referência como um «estímulo» ao trabalho das polícias portuguesas, designadamente, da P.J.
A verdade é que não há notícia de resultados quanto a tais investigações, que, devendo estar em segredo de justiça, vêm escarrapachados num relatório americano de duvidoso rigor (pelo menos quanto a Portugal).
Mas, mesmo que isso não fosse assim, o que Alípio Ribeiro não esperava era este «estímulo» do «amigo americano».
O que lhe estava guardado...
U.M.R.P.
Não há mais nada a fazer?
C.M.L.
No entanto, sou forçado a reconhecer que apenas Marques Mendes tomou, neste capítulo, uma posição coerente e firme.
Perante uma «(o)posição de direita» inexistente, uma «oposição de esquerda» a apostar numa estratégia de quanto pior melhor, e uma atitude de incompreensível apego ao poder pelo poder, por parte do presidente do executivo, M. Mendes tomou a (única) posição lógica, desassombrada e adequada ao momento: pedir eleições intercalares, para sair do «pântano alfacinha».
Afinal, em matéria de moralidade e ética política ele pode não ter muito a ensinar, mas outros há que têm muito a aprender.
Oitavo dia
Exangue, o jovem Deus aquietou-se no súbito instante
Em que cada unidade se tornou diferente de outra
E o mar se distinguiu da terra e do céu.
Adormeceu sobre o livro de cada um dos viventes
Que acabara de talhar. Desconfortável, uma ideia de ausência
Sobressaltou-o.
O oitavo dia brilhava quando abriu o capítulo oculto e fez o
homem possuidor da ferramenta matricial: a palavra.
Naquele tempo, pré-Babel, o homem navegou numa só língua
e proclamou universal a descoberta do mistério da vida na
aventura da palavra. Poesia.
J.A.Branco, Pedra Solar.
20070502
Parabéns, José Eduardo Agualusa
A distinção britânica da escrita sensível, humorada e elegante de J. E. Agualusa é mais do que merecida. Também fico muito honrado e satisfeito.



