20070831
Narco-(in)dependências
Quem o diz é o próprio primeiro-ministro da Guiné-Bissau, aqui, que anda, por isso, tentando obter apoios, batendo «...às portas aos amigos».
Ou seja, é difícil obter uma maior confissão de incapacidade, de ineficácia e de capitulação perante o narcotráfico, justamente agora, num momento em que, pela primeira vez, parece estar a abrandar o seu relevo em fluxos e em termos económicos mundiais.
Alguém falou em soberania?
20070829
Oporto by night
Principalmente à noite.
Os inspectores Jaime Ramos e Isaltino de Jesus, da P.J. do Porto, estão à espera que lhes distribuam os processos dos homicídios das últimas semanas.
Francisco José Viegas, hélas, vai ter muita «matéria prima» para trabalhar.
E vão quatro
Vetos presidenciais: o da Lei Geral Tributária, do Estatuto de Jornalista, da Lei Responsabilidade civil (extracontratual) do Estado, da Lei Orgânica da G.N.R.
A «cooperação estratégica institucional» (seja lá o que isso fôr) não pode, de facto, neutralizar o Presidente da República, face a propostas legislativas que veiculam soluções desajustadas da realidade, de duvidosa constitucionalidade e, ainda por cima, despesistas, embora emergentes de um mainstream ideológico que, ou muito me engano ou ainda nos vai trazer grandes dissabores.
Uma maioria absoluta não significa nem poder absoluto nem desrespeito absoluto pelas opiniões alheias (ainda que minoritárias).
Notícias do país de «brandos costumes»
O problema é que, agora, tudo se está a passar nas barbas de um Comando Metropolitano da PSP e da Directoria da P.J. mais importante do País.
Ou muito me engano, ou os «negócios da noite» adormeceram muita gente...
Parece que não se aprende nada.
20070827
«No pasa nada»
Basta ler este artigo do ElPais.
Em todo o caso, o governo espanhol deve uma explicação aos súbditos do Reino (e mesmos aos cidadãos portugueses), sobre o rumo das «negociações» com a ETA e das expectativas que tinha sobre uma solução definitiva e pacífica para o problema basco.
Só depois - e no caso de serem satisfatórias - é que se livrará do estigma (justamente assinalado por Manuel Fraga) de que essa foi uma política suicidária, que permitiu o fortalecimento (ao contrário do que se pretende fazer crer) da organização (quer ao nível político, já que viu reconhecido o papel de «interlocutor negocial», quer ao nível operacional). E, também, da imputação de corresponsabilidade pela autoria de novos atentados.
As contas da partidocracia
Depois disto, ainda vão falar mais (só) da Somague e do PSD?
20070825
EPC
Comecei a admirá-lo mais nas Feiras do Livro, onde era presença regular.
Lia-o inadvertidamente nas crónicas do Público e noutros lugares.
Dele guardo memória especial de uma descrição (numa Pública?) sobre o seu quotidiano parisiense, quando ali foi adido cultural.
Sempre dominado por uma irreprimível tendência de intervenção, era estranho como, sendo um intelectual profundo, integral e reflexivo, «aparecia» tanto publicamente, mesmo politicamente, tendo sido o autor do cognome do ex-procurador geral da República («gato constipado»).
A cultura contemporânea portuguesa perde um dos seus vultos maiores.
R.I.P.
20070822
Impressões de uma viagem
Desta vez, vi o Palácio dos Doges com bastante vagar. Devagar mesmo. E uma exposição interessante (e bem montada) sobre «Veneza e o Islão», dando conta das multiseculares relações privilegiadas da República dos Doges com o Islão, sobretudo de matriz otomana.
Tantas igrejas. Cento e oitenta canais, quatrocentas e cinquenta pontes, mil e uma calles, os fantasmas de Casanova e de Vivaldi, embarcações anacrónicas movidas a esforço humano.
O Café Florian estende-se debaixo de uma arcada emblemática da Praça S. Marcos. Esta, pareceu-me um pouco mais acanhada do que na primeira vez (talvez pela horda de turistas que a frequenta). Uma sala está em trabalhos de restauro. Já tem uma empregada nipónica, pois dá jeito para a clientela japonesa.Muitos pombos, demasiados pombos, a esboçar voos tangentes aos visitantes, que, não obstante os avisos de degradação pelos dejectos, os alimentam.
Cenários de inspiração. Ruelas desabitadas, canais silenciosos. Outros turbulentos.
O ambiente da Bienal nos Giardini e no Arsenale é diverso. Arte contemporânea de alguma inspiração e muito cânone. Mas não deslumbra. Talvez o pavilhão da Rússia me tenha supreendido. Pouco mais (e, acreditem, nem estou a ser exigente!).
Apesar de tudo, esta incursão mereceu-me estas linhas:
És mármore
E água
Nas tuas veias te percorremos
E nos deixamos perder
Nessa medina de líquidos labirintos
Sem a altivez dos Medici, mas, por isso mesmo, mais esforçada
e não menos aristocrataForjaram-te filigranas industriosas
de mármore e água e tijolo
Mas são de madeira as tuas fundações
20070816
Por falar em relativismos mor(t)ais...
Vamos alinhar numa onda de permissividade das regras de uma incivilidade anacrónica, que nos esforçámos por ultrapassar?
Sem que isso signifique arrogância ou eurocentrismo ou presunção de superioridade civilizacional, as regras devem ser iguais para todos, ou não?
20070805
Israel já não é um País de imigrantes?
Mas isto, porém, passa-se em 5 de Agosto de 2007.
É certo que Israel deve procurar despistar eventuais elementos subversivos ou terroristas infiltrados entre candidatos a imigrantes.
Tem de fazê-lo sem que isso signifique sacrifício de direitos humanos de pessoas inocentes, sobretudo de crianças.
20070803
"Silly season",isto?
Mas, atenção! Não derramem a infâmia sobre tudo e sobre todos.
Com o pretexto de se querer arranjar argumentos para «refundar» (reestruturar é a palavra oficial) um corpo de polícia como a Polícia Judiciária, não convém tomar a «nuvem por Juno», ou o "incendiário ainda acaba carbonizado"...
20070802
A subserviência dhimmi da RTP (agora num écran em sua casa)
E aquela senhora (irreconhecível) é paga pelo erário público (por todos nós).
E, se calhar, até teve subsídio de traje islâmico...De certeza que o pobre do embaixador do Irão nem esperava tamanha subserviência.
20070801
Não é dia das mentiras, mas parece...
Mas, mais me espanta esta notícia sobre o acordo político para a Câmara de Lisboa entre o PS e o BE.
Afinal, em vez de deixarem o mercado (imobiliário) funcionar, há intervencionismo autárquico nos preços da habitação? (isso não vai contra os «princípios de esquerda» do governo de que A. Costa foi n.º 2?.
Ou será só (como não pode deixar de ser...) um engodo do "alcaide", travestido de cedência?