20071025

Regresso a Moçambique - (nota III)

Estação de Maputo (onde se situa o «Campfumo»)


Os ambientes lúdicos e de diversão nocturna que se apresentam em Maputo são, regra geral, decentes e recomendáveis. Há muitos bares e locais de encontro, de convívio (e de engate).

Não seria, no entanto, justo que não salientasse um dos locais que é um dos meus preferidos, por tão improvável na sua localização e no seu projecto: o bar de Jazz Campfumo. Situa-se dentro da Estação dos Caminhos de Ferro de Moçambique, em Maputo, e um dos seus dinamizadores foi Ricardo Rangel, o famoso fotógrafo e fotojornalista moçambicano. Isso mesmo.

Esse bar vem referido no livro do José Eduardo Agualusa «As mulheres de meu pai» como "Chez Rangel", portanto sem actualização no tocante à titularidade (no presente é explorado apenas pelo Nuno Quadros, após o afastamento de Ricardo Rangel) e ao nome.

Trata-se de um bar que funciona (e muito bem) às sextas e sábados à noite e em vésperas de feriados, onde predominantemente se ouve Jazz (bom Jazz) ao vivo, sobretudo executado por músicos moçambicanos e sul-africanos.

No Campfumo podem encontrar-se alguns nomes de referência do meio cultural de Maputo, como João Paulo Borges Coelho, Mia Couto, Nelson Saúte, entre outros, para além de visitantes ilustres e curiosos.
E, acreditem, é um lugar de muita magia, pela improbabilidade de nos sentarmos a beber e a ouvir Jazz - tocado com mestria e sentimento -, numa plataforma do cais ferroviário do que outrora foi o terminal de uma ambiciosa linha de caminho de ferro. O edifício é um dos mais belos exemplares de arquitectura colonial, encimado pela cúpula de ferro forjado projectada por Gustave Eiffel (esse mesmo, o da torre de seu nome e da ponte Maria Pia).
As noites de Maputo bem podem começar ali e terminar não se sabe muito bem onde. Provavelmente no «Coconuts», no caminho para a Costa do Sol. O lounge «Coconuts» é uma mega-discoteca (com várias pistas de dança) onde actuam grupos musicais da moda e outros artistas (Rui Veloso já actuou ali). Este é um lugar que mereceria destaque em qualquer grande capital europeia, pelo cosmopolitismo dos seus frequentadores.
Actualmente, florescem outros locais, como o «Havana», na Avenida Mao-Tse-Tung, local de boa frequência, dir-se-ia uma clientela BCBG, que desfila com intenção (e pretensão) de impressionar e "épater le bourgeois" (aliás, à entrada paga-se um «consumo mínimo» que pode ser parcialmente devolvido, se não se consumir a totalidade...).
Maputo by nigth, poderia bem ser o título desta crónica. Não o foi, porque a noite em Maputo tem sortilégios que um tal título se tornaria redutor. A noite de Maputo é longa, e pode ser prolongada. Depende da vontade de cada um.

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