20070707
Polícias e bandidos
20070706
Benfica SAD (de olhos em bico?)
Manuel Pinho tinha razão.
A consequência mais visível do incentivo feito na China pelo ministro da Economia, está à vista.
Lá, estimulou os empresários chineses a investir no País, por causa dos salários «competitivos» praticados em Portugal.
Eles, agora, não se fizeram rogados...
Parece que apareceu alguém para complicar os planos do Joe.
A consequência mais visível do incentivo feito na China pelo ministro da Economia, está à vista.
Lá, estimulou os empresários chineses a investir no País, por causa dos salários «competitivos» praticados em Portugal.
Eles, agora, não se fizeram rogados...
Parece que apareceu alguém para complicar os planos do Joe.
20070704
Let´s twin(s) again

As lógicas da simetria inspiram as práticas políticas actuais.
Há, hoje, um curioso movimento pendular em que as tendências do «fim da história», do «pensamento único» não se fazem mais em termos concorrenciais externos, mas em termos de concorrência osmótica.
A dita «esquerda» esvazia o espaço da «direita», ousando aplicar medidas programáticas desta, mas cujos custos sociais a levou a adiá-las ou a suavizá-las.
A chamada «direita» replica o modelo, esvaziando o espaço da «esquerda», implicando personalidades d(e) movimentos sociais e políticos das áreas da solidariedade e promoção da cidadania.
É isso que sucedeu em Inglaterra, em Espanha, em Portugal e, ultimamente em França (Sarkozy, que há pouco mais de um ano chamava «racaille» à juventude da banlieue parisiense, propõe-se hoje um inaudito programa de integração social desses jovens).
Com matrizes originárias diversas, os poderes político-governativos tendem hoje a um unanimismo de fusão meta-ideológica, que pode deixar os eleitores confusos.
É um cenário em que a imagem é decisivamente essencial. Logo, um contexto em que os media, motivados por interesses múltiplos, são um factor privilegiado de promoção dos protagonistas.
Os valores e as ideologias estão, definitivamente, não nas gavetas, mas nos anais da História.
A morte não é eterna
Há momentos que são como arados
ferindo a areia lisa das praias
persistindo na memória
mesmo ao invés da razão
e há pessoas que são como chamas
cuspidas do brilho das estrelas
iluminando-nos os dias
e forçando-nos a viver
ainda que, por vezes, sintamos
que pode não haver amanhã
ou que a morte seja eterna.
ferindo a areia lisa das praias
persistindo na memória
mesmo ao invés da razão
e há pessoas que são como chamas
cuspidas do brilho das estrelas
iluminando-nos os dias
e forçando-nos a viver
ainda que, por vezes, sintamos
que pode não haver amanhã
ou que a morte seja eterna.
20070702
20070701
Já abriu, mesmo
O Museu Regional de Arqueologia Dom Diogo de Sousa, em Braga, já foi inaugurado.
Finalmente, após dezassete (17) anos de prolongada espera...
Foi tamanha a espera que o site da instituição ainda não está actualizado.
Divulgue-se.
Finalmente, após dezassete (17) anos de prolongada espera...
Foi tamanha a espera que o site da instituição ainda não está actualizado.
Divulgue-se.
Cabotagem memorial
Um dhow navega-nos
a memória litoral
na sombra rala das casuarinas
e sob um inclemente
a memória litoral
na sombra rala das casuarinas
e sob um inclemente
mas benévolo sol
que castiga
os torsos brilhantes
de esforçados marinheiros
chega-nos um cheiro
a cajú, suor e salitre
reacendendo estórias
de homens agrilhoados
noutros navios
em épocas extintas.
Ilha de Moçambique II
Por se tratar de matéria muito afectiva, não podia deixar de transcrever a II Parte destas sérias, eloquentes e imprescindíveis notas sobre a Ilha.
Para reflectir e aprender.
Os meus agradecimentos a José Pimentel Teixeira. Um grande conhecedor.
Para reflectir e aprender.
Os meus agradecimentos a José Pimentel Teixeira. Um grande conhecedor.
20070630
20070629
Ilha de Moçambique
A Ilha de Moçambique ou, simplesmente, «a Ilha» é, para mim e muitos outros, o centro de ligação telúrica.
Só isso (como se fosse pouco...).
Para o caso de haver alguém interessado, aqui ficam estas notáveis considerações sobre as actuais circunstâncias da Ilha de Moçambique.
Essas notas são verdadeiramente notáveis, em diversas dimensões: de conhecimento e erudição, de afectividade e de estilo.
Só isso (como se fosse pouco...).
Para o caso de haver alguém interessado, aqui ficam estas notáveis considerações sobre as actuais circunstâncias da Ilha de Moçambique.
Essas notas são verdadeiramente notáveis, em diversas dimensões: de conhecimento e erudição, de afectividade e de estilo.
20070628
Os voos da TAAG
Angola não vai gostar disto
Aguarda-se a habitual «retaliação de reciprocidade» das autoridades angolanas, seguida da costumeira atitude de cócoras do governo português...
Aguarda-se a habitual «retaliação de reciprocidade» das autoridades angolanas, seguida da costumeira atitude de cócoras do governo português...
20070627
Amos Oz - Contra os fundamentalismos
Há pequenas notícias que nos permitem acreditar que alguém também acredita.
Amos Oz, escritor e pensador israelita mais comprometido com a causa da Paz do que com o governo do seu País, recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias de literatura.
Há que ler e reflectir no que tem escrito.
É precisamente gente como ele que é indispensável.
20070626
Produtividade, segundo entidade isenta
L'Afghanistan reste le premier producteur mondial d'opium selon l'ONU
LEMONDE.FR 26.06.07
LEMONDE.FR 26.06.07
Nada que uma economia liberal e competitiva não estimule e reconheça.
quando a realidade supera a anedota
Há boatos letais a correr nas nossas Escolas.
Maria de Lurdes Rodrigues, essa, a ministra da educação, vai ceder o lugar a...
Margarida Moreira, a tal directora regional não sei de quê do norte...
Andam muito imaginativos os nossos professores!
Quem diria?!
Maria de Lurdes Rodrigues, essa, a ministra da educação, vai ceder o lugar a...
Margarida Moreira, a tal directora regional não sei de quê do norte...
Andam muito imaginativos os nossos professores!
Quem diria?!
Hey, Joe

Foi inaugurada, com pompa e circunstância, a Exposição da Colecção Berardo, no CCB.
Não sem a proverbial polémica dos pequenos poderes. Depois disto o A. Mega Ferreira tinha que se demitir era, mesmo, de Presidente da Fundação a que continua (?) a «presidir»...
O acesso é gratuito, até final de Dezembro, para funcionários públicos, professores e adeptos dos clubes de futebol da 1.ª Liga (com as quotas em dia).
São critérios de promoção da cultura como quaisquer outros...
20070623
Sarkozy toma a iniciativa
Rama Yade
Fadela Amara

Fadela Amara
Quer ao nível europeu, quer ao nível interno, Sarkozy surpreendeu-me.
No bom sentido, devo admitir.
Ocupando decididamente o espaço daquilo a que se convencionara chamar «esquerda» (conceito cada vez mais em crise, e, se calhar, ainda bem...), depois de um ministro ligado ao PS, B. Kouchner, apresentou agoradois "reforços" de grande significado e simbolismo.
Duas - secretárias de Estado - Duas: Rama Yade e Fadela Amara.
Atenção a estas duas mulheres: a primeira, Sec. de Estado dos direitos humanos (ligada a movimentos cívicos pela dignificação das minorias); a segunda, Sec. de Estado das Cidades (presidente da Associação «Ni putes ni soumises»).
Esta estratégia de trazer as dinâmicas dos movimentos sociais para o seio do governo é inédita. Pelo menos num governo presidencial de quem se dizia de inspiração centro-direitista e de matriz autoritária.
Penso que pode ser um «laboratório» interessante, em que as tensões sócio-culturais da França se apaziguem e, quiçá, se passe agora para um processo de verdadeira integração de nacionais de minorias étnico-culturais.
Esperemos que não seja um equívoco. De um lado ou do outro...
20070622
20070620
inadvertência
Foi talvez só por inadvertência
que me deixei agrilhoar
à calma profundidade
do teu sereno entoar
as palavras
cálamo
na superfície líquida
destas minhas noites inquietas
dos meus dias equívocos
da minha apaziguada revolta.
(não se poderá voltar ao que nunca foi)
que me deixei agrilhoar
à calma profundidade
do teu sereno entoar
as palavras
cálamo
na superfície líquida
destas minhas noites inquietas
dos meus dias equívocos
da minha apaziguada revolta.
(não se poderá voltar ao que nunca foi)
20070619
Máximas
«Um juiz que não se revolta contra a injustiça torna-se um delinquente».
Ramon Sampedro, «Carta aos senhores juízes»
Ramon Sampedro, «Carta aos senhores juízes»
20070618
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Erra uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Era uma vez
Erra uma vez
Ségo «divorce»
Acontece aos melhores.
Ségo, a esfuziante estrela política do PS de França, ex-candidata a presidente da República Francesa, acaba de anunciar a sua separação do pai dos seus quatro filhos, François Hollande, ainda líder do PS, cujo cargo ela não esconde cobiçar.
Lembre-se que a candidata despediu, no início da campanha eleitoral, um conselheiro do seu staff por ter dito, em jeito de blague, que «o pior» de Segolène era mesmo o «seu companheiro». Veio agora, ao que parece, dar-lhe razão.
Eu sei que no torvelinho da campanha, dos debates e comícios, Ségo não teve tempo para pensar na sua vida sentimental. Mas uma pergunta me ocorre: se a senhora tivesse sido eleita P.R. pediria ao seu copain para se retirar do Eliseu?
Não me pareceria de muito bom gosto, madame Ségo.
Ségo, a esfuziante estrela política do PS de França, ex-candidata a presidente da República Francesa, acaba de anunciar a sua separação do pai dos seus quatro filhos, François Hollande, ainda líder do PS, cujo cargo ela não esconde cobiçar.
Lembre-se que a candidata despediu, no início da campanha eleitoral, um conselheiro do seu staff por ter dito, em jeito de blague, que «o pior» de Segolène era mesmo o «seu companheiro». Veio agora, ao que parece, dar-lhe razão.
Eu sei que no torvelinho da campanha, dos debates e comícios, Ségo não teve tempo para pensar na sua vida sentimental. Mas uma pergunta me ocorre: se a senhora tivesse sido eleita P.R. pediria ao seu copain para se retirar do Eliseu?
Não me pareceria de muito bom gosto, madame Ségo.
20070617
Gaza «libertada»
Ou muito me engano ou a «libertação» da Faixa de Gaza pelo Hamas (nova jogada do Irão), ao Sul de Israel, é apenas mais um passo que vai trazer «algumas complicações», a curto ou médio prazo.
Imagine-se o cenário: o Líbano sequestrado pelo Hezbollah, a Faixa de Gaza nas mãos do Hamas, a Autoridade (?) palestiniana pulverizada, a Síria espreitando, Israel cercado, o (novo) «Holocausto» está preparado. Será diferente.
Por essa altura, os mísseis do Irão já deverão poder armar ogivas nucleares. Nada ao acaso. Nada que não se soubesse.
Imagine-se o cenário: o Líbano sequestrado pelo Hezbollah, a Faixa de Gaza nas mãos do Hamas, a Autoridade (?) palestiniana pulverizada, a Síria espreitando, Israel cercado, o (novo) «Holocausto» está preparado. Será diferente.
Por essa altura, os mísseis do Irão já deverão poder armar ogivas nucleares. Nada ao acaso. Nada que não se soubesse.
20070611
20070609
«Diga a frase, p. favor»
«Há elementos da Polícia que deveriam ter mais contenção na relação com a comunicação social, pois isso, de alguma forma, vai causar transtornos à investigação, não só passando alguns conhecimentos da investigação para o exterior, mas dando a impressão de que esta está a ser conduzida tipo 'discos pedidos', em que as pessoas viram para Marrocos, depois viram para Rússia, depois viram para a Inglaterra, depois viram ainda não sei bem para onde», afirmou.Barra da Costa, que falava à agência Lusa à margem do I Simpósio de Psicologia e Crime, ressalvou que «ninguém está a pôr em causa o esforço, a perseverança e os conhecimentos da Polícia Judiciária».
(do SOL on line de 9/10/2007)
O excelso Barra da Costa, "à margem" de uma iniciativa científica séria, veio entornar mais um bocadinho (só um bocadinho) de veneno sobre o trabalho da PJ no caso do desaparecimento da crinça inglesa, afirmando que a investigação anda ao sabor das «dicas» e, se calhar - o que é pior - dos ditames de Downing st. 10, com a submissa aprovação do governo e da direcção nacional da PJ.
Já toda a gente percebeu que a PJ não consegue deslindar o caso. Anda literalmente "aos papéis", o que só vem renovar uma velha questão, que é a da adequação das polícias a novos métodos de investigação criminal e aos limites que a estes devem ser consentidos no âmbito da prevenção e do combate à criminalidade organizada, violenta e de carácter transnacional.
Mas também é precio dizer que polícia nenhuma do mundo é infalível. É certo.
Coisa diferente é a subserviência revelada pelas autoridades nacionais, ao cederem às exigências das britânicas no sentido de as deixar inteferir nas próprias investigações, o que me parece ser muito diferente da desejável cooperação policial e judiciária internacional naqueles domínios.
O governo e a direcção nacional da PJ deu um sinal de grande vulnerabilidade, incapacidade e servilismo que, a pretexto de captar a simpatia dos ingleses (!), irá custar muito caro: para já, saiu ferida a dignidade e o (justificado) orgulho da autonomia da PJ.
Para acompanhar a boutade de Barra da Costa, o pedido deverá ser George Michael ou Elton John?
Diga a frase! (como impunha o locutor num célebre programa de discos pedidos ...).
NOTA: Espera-se, apesar de tudo, que a criança inglesa, seja resgatada com êxito e em segurança.
(do SOL on line de 9/10/2007)
O excelso Barra da Costa, "à margem" de uma iniciativa científica séria, veio entornar mais um bocadinho (só um bocadinho) de veneno sobre o trabalho da PJ no caso do desaparecimento da crinça inglesa, afirmando que a investigação anda ao sabor das «dicas» e, se calhar - o que é pior - dos ditames de Downing st. 10, com a submissa aprovação do governo e da direcção nacional da PJ.
Já toda a gente percebeu que a PJ não consegue deslindar o caso. Anda literalmente "aos papéis", o que só vem renovar uma velha questão, que é a da adequação das polícias a novos métodos de investigação criminal e aos limites que a estes devem ser consentidos no âmbito da prevenção e do combate à criminalidade organizada, violenta e de carácter transnacional.
Mas também é precio dizer que polícia nenhuma do mundo é infalível. É certo.
Coisa diferente é a subserviência revelada pelas autoridades nacionais, ao cederem às exigências das britânicas no sentido de as deixar inteferir nas próprias investigações, o que me parece ser muito diferente da desejável cooperação policial e judiciária internacional naqueles domínios.
O governo e a direcção nacional da PJ deu um sinal de grande vulnerabilidade, incapacidade e servilismo que, a pretexto de captar a simpatia dos ingleses (!), irá custar muito caro: para já, saiu ferida a dignidade e o (justificado) orgulho da autonomia da PJ.
Para acompanhar a boutade de Barra da Costa, o pedido deverá ser George Michael ou Elton John?
Diga a frase! (como impunha o locutor num célebre programa de discos pedidos ...).
NOTA: Espera-se, apesar de tudo, que a criança inglesa, seja resgatada com êxito e em segurança.
20070608
Bolas para a província.
Saldanha Sanches veio esclarecer que as acusações sobre a «captura» (termo tão caro de uma clique que nos desgoverna) dos magistrados do Ministério Público de «província» e as estruturas autárquicas, afinal, referem-se a «quebra de deontologia» e outros «pecadilhos» menores, mas que podem interferir com a imagem que se fica do seu posicionamento funcional.
Mas, entretanto (na SIC Notícias), deu um - talvez bom, talvez mesmo excelente - exemplo daquilo a que se referiu: em tempos, «um procurador(-adjunto?) de Cascais integrou a comissão de honra (?) de um candidato à Câmara».
De uma assentada, viemos a saber que o candidato à Câmara era o Dr. José Lamego, que perdeu as eleições. Um anterior presidente da Câmara de Cascais, o sr. Judas, tempos depois, viu um processo em que era envolvido ser arquivado (parece que pelo mesmo magistrado!!...). O que parece é que o Conselho Superior do Ministério Público já apreciou essa situação e decidiu nada fazer. É, portanto, «caso julgado»...
Mas, mais interessante, ficámos a saber que a «província», afinal, começa em Cascais...
P.S.: o sr. Judas, não se soube bem porquê, entretanto, caiu em desgraça (no P.S.).
Mas, entretanto (na SIC Notícias), deu um - talvez bom, talvez mesmo excelente - exemplo daquilo a que se referiu: em tempos, «um procurador(-adjunto?) de Cascais integrou a comissão de honra (?) de um candidato à Câmara».
De uma assentada, viemos a saber que o candidato à Câmara era o Dr. José Lamego, que perdeu as eleições. Um anterior presidente da Câmara de Cascais, o sr. Judas, tempos depois, viu um processo em que era envolvido ser arquivado (parece que pelo mesmo magistrado!!...). O que parece é que o Conselho Superior do Ministério Público já apreciou essa situação e decidiu nada fazer. É, portanto, «caso julgado»...
Mas, mais interessante, ficámos a saber que a «província», afinal, começa em Cascais...
P.S.: o sr. Judas, não se soube bem porquê, entretanto, caiu em desgraça (no P.S.).
20070607
Os desafios da ETA e as hesitações do governo espanhol
Após o anúncio do fim da trégua por parte da ETA, o governo espanhol decidiu que o etarra De Juana Chaos (objecto de medidas de clemência excepcionais, após uma controversa greve de fome) voltasse à prisão. Voltou a ficar preso (após ter estado internado num hospital), sob o pretexto de que já não corre perigo de vida.
Com esta opção, longe de sair reforçada a autoridade e legitimidade do Estado, o governo espanhol, talvez sem querer, dá mostras de grande tibieza, vulnerabilidade e hesitação.
Imagine-se o que terá de fazer quando for anunciada nova trégua...
Com esta opção, longe de sair reforçada a autoridade e legitimidade do Estado, o governo espanhol, talvez sem querer, dá mostras de grande tibieza, vulnerabilidade e hesitação.
Imagine-se o que terá de fazer quando for anunciada nova trégua...
20070605
20070604
Palavras incendiárias de um ex-director do «Luta popular»
«Lisboa, 04 Jun (Lusa) - O advogado José António Barreiros pediu hoje uma investigação criminal na sequência de declarações do fiscalista Saldanha Sanches, que afirmou existir uma "relação de amizade e cumplicidade" entre autarquias da província e o Ministério Público.
Na denúncia criminal contra incertos apresentada hoje à tarde ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), José António Barreiros pede ao procurador adjunto que investigue os alegados crimes de denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva e abuso de poder subjacentes às declarações de Saldanha Sanches.
A queixa de José António Barreiros, que foi advogado das vítimas no processo Casa Pia, do ex-dirigente do Benfica Vale e Azevedo e de José Manuel Beleza, entre outros casos mediáticos, foi avançada hoje à noite pela Sic Notícias, à qual o jurista deu uma entrevista.
Em entrevista à revista Visão na passada quinta-feira, José Luís Saldanha Sanches, mandatário financeiro da candidatura de António Costa (PS) à Câmara de Lisboa, afirmou que "nas autarquias da província há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público (MP) pela estrutura autárquica".
"Há ali uma relação de amizade e de cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial", disse Saldanha Sanches, marido da directora do DIAP de Lisboa, Maria José Morgado, coordenadora das investigações do MP à corrupção no futebol no âmbito do processo Apito Dourado.
A Lusa tentou obter uma reacção de Saldanha Sanches, mas tal não foi possível até ao momento.
Contactada pela Lusa, fonte da candidatura de António Costa escusou-se a comentar o assunto, afirmando apenas que as declarações do mandatário financeiro apenas o vinculam a ele.
Na entrevista à Sic Notícias ao início da noite, José António Barreiros considerou que Saldanha Sanches "denunciou crimes" e que, perante esse facto, "ninguém poderia ficar indiferente", sustentando que "o sistema jurídico tem de tomar a sério" as declarações do fiscalista.
O advogado considera que as afirmações são de uma "gravidade incomensurável, vinda de quem vem", referindo que não poderia "ficar indiferente e desvalorizá-las".
"Não se contribui para combater a corrupção, proferindo frases incendiárias e que ajudam ao descrédito. Isso faz-se denunciando casos", afirmou o advogado.
José António Barreiros afirma que se assiste a "um descrédito progressivo da justiça, todo os dias sujeita a um campanha por parte dos políticos", e recorda que Saldanha Sanches falou à Visão na sua qualidade de mandatário financeiro da campanha de António Costa.
O advogado critica aquilo que diz ser "um processo de emporcalhamento sistemático do sistema judicial".
Na queixa, Barreiros sustenta que, a serem verdadeiras as afirmações de Saldanha Sanches, tal siginifica que "a liberdade de actuação do Ministério Público na província está cerceada", e que os magistrados do MP "de modo 'frequentíssimo' praticam crimes, por via da sua 'captura' pela 'estrutura autárquica'".
"O estar um magistrado capturado pela 'estrutura autárquica' só pode significar que estarão em causa situações em que tal 'estrutura' será passível, directa ou indirectamente, de responsabilização e que o Ministério Público actua em conformidade com a situação de 'capturado' por aquela estrutura", adianta.
Para José António Barreiros, "nenhum [magistrado], por mais alto que seja o cargo que desempenha, está excluído de tal imputação, nem o autor da mesma diferencia qualquer situação".
"A 'suspeita' criada pelo doutor Saldanha Sanches abrange pois um núcleo ainda indeterminado de pessoas, envolvendo as que se encontram actualmente na província ao serviço do MP e as que ali estiveram no passado", acrescenta, na queixa.
José António Barreiros, que se constituiu como assistente no processo, indicou Saldanha Sanches como testemunha "a toda a matéria da presente denúncia e a factos de que tenha conhecimento".».
Este folhetim traz à liça, mais uma vez, a tentação do protagonismo fácil de um cavalheiro que fez acusações gravíssimas, relativamente às quais só terá uma de duas saídas: ou as prova de forma concludente, e terão de extrair-se as consequências necessárias, ou não as prova, e ficaria - num país a sério - definitivamente desacreditado, podendo ser adequadamente responsabilizado pelas insinuações que fez.
Mas nada disso vai suceder.
Num país que não é realmente um país a sério (como o nosso), toda a gente vai, uma vez mais, "assobiar para o lado" e ignorar olimpicamente a questão porque nada se irá comprovar. E, mesmo que nada se prove, nada sucederá ao Dr. Saldanha Sanches, apesar de ter contribuído de forma proficiente, com mais uma potente atoarda para descredibilizar o já tão fragilizado e desacreditado sistema judiciário.
Mas esta rábula impõe uma reflexão. O cavalheiro que proferiu (na entrevista à Visão) as referidas acusações, é marido da Procuradora-geral adjunta que dirige o DIAP de Lisboa(estrutura do Ministério Público responsável pela investigação criminal e exercício da acção penal pública) e coordena a investigação de algumas sequelas do processo «Apito dourado» (M.ª José Morgado). Será que dispoe de informação cirurgicamente privilegiada para se referir ao «Ministério Público da província» (curiosa expressão provinciana de alfacinha pretensioso)?
Estaria ele a pensar no Ministério Público da Guarda, Nazaré, Felgueiras, Guimarães, Águeda, Porto, Gondomar e outros locais mais provincianos de que nem há notícia?
Seriam estas as «cumplicidades capturadas» entre as estruturas autárquicas e o Ministério Público?
Não, decerto conhecerá outros casos.
Os cidadãos exigem conhecê-los.
Saldanha Sanches deve, agora, um esclarecimento aos cidadãos «provincianos». Nem que seja num processo judicial.
Uma palavra final de grande apreço: Fez bem José António Barreiros, enquanto cidadão, ao instaurar um processo contra incertos para investigar as alegadas promiscuidades. Merece o meu incondicional apoio e aplauso.
Na denúncia criminal contra incertos apresentada hoje à tarde ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), José António Barreiros pede ao procurador adjunto que investigue os alegados crimes de denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva e abuso de poder subjacentes às declarações de Saldanha Sanches.
A queixa de José António Barreiros, que foi advogado das vítimas no processo Casa Pia, do ex-dirigente do Benfica Vale e Azevedo e de José Manuel Beleza, entre outros casos mediáticos, foi avançada hoje à noite pela Sic Notícias, à qual o jurista deu uma entrevista.
Em entrevista à revista Visão na passada quinta-feira, José Luís Saldanha Sanches, mandatário financeiro da candidatura de António Costa (PS) à Câmara de Lisboa, afirmou que "nas autarquias da província há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público (MP) pela estrutura autárquica".
"Há ali uma relação de amizade e de cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial", disse Saldanha Sanches, marido da directora do DIAP de Lisboa, Maria José Morgado, coordenadora das investigações do MP à corrupção no futebol no âmbito do processo Apito Dourado.
A Lusa tentou obter uma reacção de Saldanha Sanches, mas tal não foi possível até ao momento.
Contactada pela Lusa, fonte da candidatura de António Costa escusou-se a comentar o assunto, afirmando apenas que as declarações do mandatário financeiro apenas o vinculam a ele.
Na entrevista à Sic Notícias ao início da noite, José António Barreiros considerou que Saldanha Sanches "denunciou crimes" e que, perante esse facto, "ninguém poderia ficar indiferente", sustentando que "o sistema jurídico tem de tomar a sério" as declarações do fiscalista.
O advogado considera que as afirmações são de uma "gravidade incomensurável, vinda de quem vem", referindo que não poderia "ficar indiferente e desvalorizá-las".
"Não se contribui para combater a corrupção, proferindo frases incendiárias e que ajudam ao descrédito. Isso faz-se denunciando casos", afirmou o advogado.
José António Barreiros afirma que se assiste a "um descrédito progressivo da justiça, todo os dias sujeita a um campanha por parte dos políticos", e recorda que Saldanha Sanches falou à Visão na sua qualidade de mandatário financeiro da campanha de António Costa.
O advogado critica aquilo que diz ser "um processo de emporcalhamento sistemático do sistema judicial".
Na queixa, Barreiros sustenta que, a serem verdadeiras as afirmações de Saldanha Sanches, tal siginifica que "a liberdade de actuação do Ministério Público na província está cerceada", e que os magistrados do MP "de modo 'frequentíssimo' praticam crimes, por via da sua 'captura' pela 'estrutura autárquica'".
"O estar um magistrado capturado pela 'estrutura autárquica' só pode significar que estarão em causa situações em que tal 'estrutura' será passível, directa ou indirectamente, de responsabilização e que o Ministério Público actua em conformidade com a situação de 'capturado' por aquela estrutura", adianta.
Para José António Barreiros, "nenhum [magistrado], por mais alto que seja o cargo que desempenha, está excluído de tal imputação, nem o autor da mesma diferencia qualquer situação".
"A 'suspeita' criada pelo doutor Saldanha Sanches abrange pois um núcleo ainda indeterminado de pessoas, envolvendo as que se encontram actualmente na província ao serviço do MP e as que ali estiveram no passado", acrescenta, na queixa.
José António Barreiros, que se constituiu como assistente no processo, indicou Saldanha Sanches como testemunha "a toda a matéria da presente denúncia e a factos de que tenha conhecimento".».
Este folhetim traz à liça, mais uma vez, a tentação do protagonismo fácil de um cavalheiro que fez acusações gravíssimas, relativamente às quais só terá uma de duas saídas: ou as prova de forma concludente, e terão de extrair-se as consequências necessárias, ou não as prova, e ficaria - num país a sério - definitivamente desacreditado, podendo ser adequadamente responsabilizado pelas insinuações que fez.
Mas nada disso vai suceder.
Num país que não é realmente um país a sério (como o nosso), toda a gente vai, uma vez mais, "assobiar para o lado" e ignorar olimpicamente a questão porque nada se irá comprovar. E, mesmo que nada se prove, nada sucederá ao Dr. Saldanha Sanches, apesar de ter contribuído de forma proficiente, com mais uma potente atoarda para descredibilizar o já tão fragilizado e desacreditado sistema judiciário.
Mas esta rábula impõe uma reflexão. O cavalheiro que proferiu (na entrevista à Visão) as referidas acusações, é marido da Procuradora-geral adjunta que dirige o DIAP de Lisboa(estrutura do Ministério Público responsável pela investigação criminal e exercício da acção penal pública) e coordena a investigação de algumas sequelas do processo «Apito dourado» (M.ª José Morgado). Será que dispoe de informação cirurgicamente privilegiada para se referir ao «Ministério Público da província» (curiosa expressão provinciana de alfacinha pretensioso)?
Estaria ele a pensar no Ministério Público da Guarda, Nazaré, Felgueiras, Guimarães, Águeda, Porto, Gondomar e outros locais mais provincianos de que nem há notícia?
Seriam estas as «cumplicidades capturadas» entre as estruturas autárquicas e o Ministério Público?
Não, decerto conhecerá outros casos.
Os cidadãos exigem conhecê-los.
Saldanha Sanches deve, agora, um esclarecimento aos cidadãos «provincianos». Nem que seja num processo judicial.
Uma palavra final de grande apreço: Fez bem José António Barreiros, enquanto cidadão, ao instaurar um processo contra incertos para investigar as alegadas promiscuidades. Merece o meu incondicional apoio e aplauso.
Find Maddie: double standards, «Échelon» e o alastramento dos «inimigos».
«Londres, 03 Mai (Lusa) - Os especialistas em telecomunicações britânicos que estão no Algarve a ajudar na investigação do desaparecimento de Madeleine McCann identificaram conversas em árabe a falar de uma "menina loira", revela hoje o jornal People.
As chamadas telefónicas onde era referida a "pequena menina loira" foram todas feitas em língua árabe num telefone pré-pago espanhol, adianta a edição dominical, que pertence ao grupo dos tablóides Daily Mirror e Sunday Mirror.
Segundo o jornal, nas conversas foram ainda encontradas referências a um homem alemão, a Marrocos, Holanda e Alemanha e ainda às travessias marítimas de Tarifa, de onde sai oito vezes por dia um barco com destino a Tânger, em Marrocos.
Estas pistas terão sido encontradas usando o "sistema espião Echelon", um programa que que consegue "ouvir palavras-chave e frases usadas em conversas telefónicas, e depois analisá-las", revela.
Os especialistas britânicos terão ainda percebido referências à visita dos pais de Madeleine na semana passada a Roma, onde foram recebidos pelo Papa Bento XVI, adianta.
Uma fonte próxima da investigação citada pelo jornal reconheceu que "a informação recolhida destas chamadas de telemóveis está a ser tratada muito seriamente", mas confessou que o facto de os telemóveis pré-pagos não estarem normalmente registados torna "difícil encontrar o rasto, o que é frustrante".
Mesmo assim, disse ao People que "pode ser muitíssimo importante" e indicou que a investigação pode virar-se para o Norte de África, onde uma turista norueguesa afirma ter visto Madeleine há três semanas em Marraquexe.
Mari Olli teria visto uma menina loira vestida de pijama num posto de abastecimento de combustível na companhia de um homem a quem terá perguntado em inglês: "Já posso ver a minha mãe?".
Dois agentes policiais britânicos especialistas em telecomunicações estão desde a semana passada na Praia da Luz para tentar identificar registos de comunicações de telemóveis que possam estar relacionados com o alegado rapto de Madeleine.
No passado, registos de comunicações por telemóvel encontrados pela polícia foram cruciais para provar a responsabilidade de Ian Huntley pelo homicídio de Holly Wells e Jessica Chapman, de 10 anos, em 2002 no Reino Unido.
Embora a polícia britânica esteja a colaborar e vários agentes tenham sido enviados a Portugal para ajudar nas investigações, as autoridades britânicas têm sempre recusado comentar o caso, alegando que a responsabilidade do inquérito é da polícia portuguesa.»
A notícia acabada de transcrever é uma autêntica «bomba jurídico-mediática» relativamente à qual, porém, ninguém dispensará mais do que um ou dois minutos de atenção (o tempo de a ler). Muito menos servirá de mote para um possível e oportuno debate sereno e sério em torno de questões como o papel dos serviços de informação e inteligence na investigação criminal, a cooperação judiciária internacional e os métodos especiais de investigação (p. ex. escutas telefónicas).
Com efeito, o rapto da criança inglesa Madeleine (há um mês) veio recordar esse pesadelo fantasmático que é o desaparecimento de crianças, e que paira(va) latente, apesar da digna, corajosa e persistente intervenção de Filomena Teixeira, mãe do Rui Pedro (o menino desparecido em 98 em Lousada).
No caso de Madeleine, os factos noticiados revelam que, afinal, mesmo sem suspeitos nem «arguidos» (figura estranha e tenebrosa, inventada por essa raça de gente pequena, preguiçosa e atrasada que dá pelo nome de "portugueses") fazem-se escutas telefónicas arbitrárias à escala mundial (de discutíveis resultados), e toda a gente aplaude, para tranquilizar o gáudio da turbamulta que, mais do que tudo, quer que se «faça alguma coisa», mesmo que se atropelem os mesmos «direitos», exactamente os «mesmos direitos» dos implicados num caso judiciário recente, em que se defendeu (sob a batuta de uma magnífica e bem orquestrada campanha político-mediática, cuja percurso ainda não terminou) a sua absoluta inviolabilidade, denegrindo-se a dignidade, a probidade e imagem pessoal e profissional dos investigadores.
Mas mais. Qual a validade - se não houver sido judicialmente autorizada, nos termos legais - probatória de tais registos de conversações telefónicas na Inglaterra? Em Portugal, tais escutas não são legalmente admissíveis, sendo crime a sua realização (art. 276.º do Código Penal português).
Portanto, a questão é mesmo essa: devem empreender-se todas as tentativas e mobilizar todos os recursos para esgotar as linhas de investigação num caso com estes contornos. Mas também nos outros que venham a suceder no futuro. Sem dúvida.
Mas estaremos dispostos a abdicar de um património normativo e civilizacional consolidado, que agora os supercivilizados e esclarecidos britânicos preferem ignorar, sob o pretexto de ineficiência das nossas autoridades?
O facto é que já deram mostras de o ter feito no caso do terrorismo. Agora, também no caso do desaparecimento de crianças. Amanhã em que situação?
O alastrar do espectro de «inimigos» (do direito) é uma sedutora tentação para aqueles que se propõem alcançar um estado de suposta segurança e eficiência investigatória, mas torna-se um flagrante retrocesso em domínios em que, bem recentemente, se rasgaram vestes pela sua inquestionabilidade.
A coerência, neste particular, é um valor como outro qualquer. Com o seu grau de relatividade, já sabemos. Não há valores puros e imutáveis.
Mas não ficará nada mal a quem andou a fazer figura de émulo dos «direitos fundamentais do arguidos» que agora se remeta a um prudente silêncio. Não é o meu caso. E, acreditem, não é por desprezar os direitos de defesa dos arguidos. Ao contrário: é por lhes pretender atribuir a sua real dimensão.
«Quem, para obter segurança, sacrifica a liberdade, acaba por perder as duas».
As chamadas telefónicas onde era referida a "pequena menina loira" foram todas feitas em língua árabe num telefone pré-pago espanhol, adianta a edição dominical, que pertence ao grupo dos tablóides Daily Mirror e Sunday Mirror.
Segundo o jornal, nas conversas foram ainda encontradas referências a um homem alemão, a Marrocos, Holanda e Alemanha e ainda às travessias marítimas de Tarifa, de onde sai oito vezes por dia um barco com destino a Tânger, em Marrocos.
Estas pistas terão sido encontradas usando o "sistema espião Echelon", um programa que que consegue "ouvir palavras-chave e frases usadas em conversas telefónicas, e depois analisá-las", revela.
Os especialistas britânicos terão ainda percebido referências à visita dos pais de Madeleine na semana passada a Roma, onde foram recebidos pelo Papa Bento XVI, adianta.
Uma fonte próxima da investigação citada pelo jornal reconheceu que "a informação recolhida destas chamadas de telemóveis está a ser tratada muito seriamente", mas confessou que o facto de os telemóveis pré-pagos não estarem normalmente registados torna "difícil encontrar o rasto, o que é frustrante".
Mesmo assim, disse ao People que "pode ser muitíssimo importante" e indicou que a investigação pode virar-se para o Norte de África, onde uma turista norueguesa afirma ter visto Madeleine há três semanas em Marraquexe.
Mari Olli teria visto uma menina loira vestida de pijama num posto de abastecimento de combustível na companhia de um homem a quem terá perguntado em inglês: "Já posso ver a minha mãe?".
Dois agentes policiais britânicos especialistas em telecomunicações estão desde a semana passada na Praia da Luz para tentar identificar registos de comunicações de telemóveis que possam estar relacionados com o alegado rapto de Madeleine.
No passado, registos de comunicações por telemóvel encontrados pela polícia foram cruciais para provar a responsabilidade de Ian Huntley pelo homicídio de Holly Wells e Jessica Chapman, de 10 anos, em 2002 no Reino Unido.
Embora a polícia britânica esteja a colaborar e vários agentes tenham sido enviados a Portugal para ajudar nas investigações, as autoridades britânicas têm sempre recusado comentar o caso, alegando que a responsabilidade do inquérito é da polícia portuguesa.»
A notícia acabada de transcrever é uma autêntica «bomba jurídico-mediática» relativamente à qual, porém, ninguém dispensará mais do que um ou dois minutos de atenção (o tempo de a ler). Muito menos servirá de mote para um possível e oportuno debate sereno e sério em torno de questões como o papel dos serviços de informação e inteligence na investigação criminal, a cooperação judiciária internacional e os métodos especiais de investigação (p. ex. escutas telefónicas).
Com efeito, o rapto da criança inglesa Madeleine (há um mês) veio recordar esse pesadelo fantasmático que é o desaparecimento de crianças, e que paira(va) latente, apesar da digna, corajosa e persistente intervenção de Filomena Teixeira, mãe do Rui Pedro (o menino desparecido em 98 em Lousada).
No caso de Madeleine, os factos noticiados revelam que, afinal, mesmo sem suspeitos nem «arguidos» (figura estranha e tenebrosa, inventada por essa raça de gente pequena, preguiçosa e atrasada que dá pelo nome de "portugueses") fazem-se escutas telefónicas arbitrárias à escala mundial (de discutíveis resultados), e toda a gente aplaude, para tranquilizar o gáudio da turbamulta que, mais do que tudo, quer que se «faça alguma coisa», mesmo que se atropelem os mesmos «direitos», exactamente os «mesmos direitos» dos implicados num caso judiciário recente, em que se defendeu (sob a batuta de uma magnífica e bem orquestrada campanha político-mediática, cuja percurso ainda não terminou) a sua absoluta inviolabilidade, denegrindo-se a dignidade, a probidade e imagem pessoal e profissional dos investigadores.
Mas mais. Qual a validade - se não houver sido judicialmente autorizada, nos termos legais - probatória de tais registos de conversações telefónicas na Inglaterra? Em Portugal, tais escutas não são legalmente admissíveis, sendo crime a sua realização (art. 276.º do Código Penal português).
Portanto, a questão é mesmo essa: devem empreender-se todas as tentativas e mobilizar todos os recursos para esgotar as linhas de investigação num caso com estes contornos. Mas também nos outros que venham a suceder no futuro. Sem dúvida.
Mas estaremos dispostos a abdicar de um património normativo e civilizacional consolidado, que agora os supercivilizados e esclarecidos britânicos preferem ignorar, sob o pretexto de ineficiência das nossas autoridades?
O facto é que já deram mostras de o ter feito no caso do terrorismo. Agora, também no caso do desaparecimento de crianças. Amanhã em que situação?
O alastrar do espectro de «inimigos» (do direito) é uma sedutora tentação para aqueles que se propõem alcançar um estado de suposta segurança e eficiência investigatória, mas torna-se um flagrante retrocesso em domínios em que, bem recentemente, se rasgaram vestes pela sua inquestionabilidade.
A coerência, neste particular, é um valor como outro qualquer. Com o seu grau de relatividade, já sabemos. Não há valores puros e imutáveis.
Mas não ficará nada mal a quem andou a fazer figura de émulo dos «direitos fundamentais do arguidos» que agora se remeta a um prudente silêncio. Não é o meu caso. E, acreditem, não é por desprezar os direitos de defesa dos arguidos. Ao contrário: é por lhes pretender atribuir a sua real dimensão.
«Quem, para obter segurança, sacrifica a liberdade, acaba por perder as duas».
20070603
20070531
20070530
20070528
20070527
Causas
Podia defender muitas causas, múltiplas causas. Causas como Timor, a libertação de Ingrid Betancourt, o fim das atrocidades no Darfour, os imigrantes dos cayucos, as vítimas de violência doméstica, etc, etc. Não faltam temas nem pretextos a inspirar campanhas pela sua visibilidade.
Hoje, no entanto, só me apetece defender uma causa: cultivar o esquecimento, ou, como escrevia S. Alba, «cultivar a surdina». Também tenho momentos destes.
Será isto a inconsequência na defesa das causas?
Hoje, no entanto, só me apetece defender uma causa: cultivar o esquecimento, ou, como escrevia S. Alba, «cultivar a surdina». Também tenho momentos destes.
Será isto a inconsequência na defesa das causas?
Não o fazia tão senil...
"Almeida Santos, que falava à saída da reunião da Comissão Nacional do PS, é contra a construção do aeroporto na Margem Sul, mas invoca razões relacionadas com a defesa nacional, nomeadamente o risco de destruição de uma das pontes sobre o Rio Tejo.
O presidente socialista explicou que um aeroporto na Margem Sul do Tejo implica passar sobre pontes e que estas podem ser destruídas por terroristas".
E eu, que afinal estava convencido que o «presidente socialista» advoga o «diálogo com os terroristas» e que não estaria particularmente preocupado com uma tal eventualidade...
Para se chegar a esta argumentação, o estado de desespero é total. Fica claro que não há mais argumentos para defender a Ota.
O presidente socialista explicou que um aeroporto na Margem Sul do Tejo implica passar sobre pontes e que estas podem ser destruídas por terroristas".
E eu, que afinal estava convencido que o «presidente socialista» advoga o «diálogo com os terroristas» e que não estaria particularmente preocupado com uma tal eventualidade...
Para se chegar a esta argumentação, o estado de desespero é total. Fica claro que não há mais argumentos para defender a Ota.
20070524
Felicidade
«Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre».
José Eduardo Agualusa, O vendedor de passados.
José Eduardo Agualusa, O vendedor de passados.
20070521
Às vezes, a realidade, a cores e ao vivo...
Do Sol on line:
«No Médio Oriente, trocam-se acusações quanto à origem da recente onda de violência no Líbano, com Beirute a acusar a Síria de tentar destabilizar o pequeno país, e Damasco a negar qualquer laço coma a Fatah al-Islam que, por sua vez, é acusada pelos sírios de ter laços com a Al Qaeda de Osama Bin Laden.
Vários membros deste grupo radical islâmico foram detidos nos últimos dias. Entre os militantes contam-se cidadãos da Síria, Arábia Saudita e Argélia, bem como um libanês suspeito de ter estado envolvido na preparação de um atentado na Alemanha, no ano passado, que foi evitado pelas autoridades germânicas.
Poucas centenas de quilómetros a sul do Líbano, a situação não é melhor. Na Gaza palestiniana, continuam os confrontos entre os militantes radicais do Hamas e os moderados da Fatah, apesar dos apelos dos seus líderes para o fim dos combates.
Ao mesmo tempo, militantes do Hamas continuam a disparar rockets a partir de Gaza para a cidade israelita de Sderot, do outro lado da fronteira. Esta segunda-feira, uma mulher perdeu a vida quando o seu carro foi atingido por um destes mísseis.
Israel, entretanto, continua a responder às acções do Hamas e ameaça agora eliminar altas figuras do governo palestiniano, incluindo o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, membro do movimento radical.
Na Jordânia, no entanto, o Rei Abdullah apelou ao fim da violência no Médio Oriente. Em entrevista à BBC, o monarca afirmou que «dentro de dois anos, pouco restará de um possível Estado palestiniano» se prosseguirem as disputas internas. O rei da Jordânia aconselhou ainda Israel a ter «cabeça fria» e a não responder aos ataques do Hamas».
(SOL com agências)
Convém ter a noção que as coisas no Médio Oriente (e nomeadamente na Palestina) não acontecem por acaso e não são, exactamente, a "preto e branco"...
«No Médio Oriente, trocam-se acusações quanto à origem da recente onda de violência no Líbano, com Beirute a acusar a Síria de tentar destabilizar o pequeno país, e Damasco a negar qualquer laço coma a Fatah al-Islam que, por sua vez, é acusada pelos sírios de ter laços com a Al Qaeda de Osama Bin Laden.
Vários membros deste grupo radical islâmico foram detidos nos últimos dias. Entre os militantes contam-se cidadãos da Síria, Arábia Saudita e Argélia, bem como um libanês suspeito de ter estado envolvido na preparação de um atentado na Alemanha, no ano passado, que foi evitado pelas autoridades germânicas.
Poucas centenas de quilómetros a sul do Líbano, a situação não é melhor. Na Gaza palestiniana, continuam os confrontos entre os militantes radicais do Hamas e os moderados da Fatah, apesar dos apelos dos seus líderes para o fim dos combates.
Ao mesmo tempo, militantes do Hamas continuam a disparar rockets a partir de Gaza para a cidade israelita de Sderot, do outro lado da fronteira. Esta segunda-feira, uma mulher perdeu a vida quando o seu carro foi atingido por um destes mísseis.
Israel, entretanto, continua a responder às acções do Hamas e ameaça agora eliminar altas figuras do governo palestiniano, incluindo o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, membro do movimento radical.
Na Jordânia, no entanto, o Rei Abdullah apelou ao fim da violência no Médio Oriente. Em entrevista à BBC, o monarca afirmou que «dentro de dois anos, pouco restará de um possível Estado palestiniano» se prosseguirem as disputas internas. O rei da Jordânia aconselhou ainda Israel a ter «cabeça fria» e a não responder aos ataques do Hamas».
(SOL com agências)
Convém ter a noção que as coisas no Médio Oriente (e nomeadamente na Palestina) não acontecem por acaso e não são, exactamente, a "preto e branco"...
20070519
salazarismos de repartição
Consta do Público de hoje (19/5/2007) que a directora regional da DREN (Direcção Regional de Educação do Norte) ordenou a suspensão de um professor por este ter dito uma piada sobre a licenciatura do 1.º ministro.
Que "foi no seu local e horário de trabalho..." invocou a zelosa burocrata, considerando a ocorrência um "insulto" (não se sabendo se o visado teve conhecimento da grave infâmia).
Alguém se admira que o "fantasma" de Salazar ganhe o concurso «grandes portugueses»?
Que "foi no seu local e horário de trabalho..." invocou a zelosa burocrata, considerando a ocorrência um "insulto" (não se sabendo se o visado teve conhecimento da grave infâmia).
Alguém se admira que o "fantasma" de Salazar ganhe o concurso «grandes portugueses»?
20070518
Como «destragedear» a Vida?
O desaparecimento de crianças é um pesadelo fantasmático do tempo actual, que nos remete para o domínio dos piores receios e inseguranças de um mundo em processo contínuo de avolumar crescente dos (mega)riscos.
A propósito do desparecimento da criança inglesa Madeleine, no Algarve - cujo esclarecimento se antevê como algo de complexo e, porventura, surpreendente - convoquemos o caso dessa autêntica «Mulher-Mãe-Ícone» Filomena Teixeira, cuja exemplar persistência na lembrança da ausência inexplicada e no esforço de resgatar um filho desaparecido em 4/3/1998, o Rui Pedro, é indesejavelmente, insuportavelmente inspiradora.
O extremo da dor da incerteza de não saber de um filho desaparecido é possivelmente (se é que a dor é mensurável) mais devastador do que sabê-lo morto.
Isso mesmo atesta Filomena, ao sentir e viver, também fisicamente, as consequências dessa trágica ocorrência.
Filomena, uma mulher que nos interpela a todos, de algum modo passivos cúmplices do mal que grassa nas nossas comunidades, quiçá nas nossas casas.
De uma forma singularmente bela e intensa, ela tem resistido a tudo com uma imensa dignidade, mas, sobretudo, tem resistido à indiferença, ao desânimo e ao conformismo. Merece mais do que qualquer pseudo-edificante homenagem, o reconhecimento da solidária dedicação a uma causa que teve que absolutizar, em prejuízo de outros interesses e de outras prioridades.
Continua, Filomena, a iluminar e inquietar as más (e também as boas) consciências oficiais (e as outras).
Tens que saber que te devemos muito. O teu exemplo é de uma impressionante e incomparável coragem.
És daquelas pessoas que um poeta disse, uma vez, serem as «indispensáveis».
Perante isso, como «destragedear» a vida?
A propósito do desparecimento da criança inglesa Madeleine, no Algarve - cujo esclarecimento se antevê como algo de complexo e, porventura, surpreendente - convoquemos o caso dessa autêntica «Mulher-Mãe-Ícone» Filomena Teixeira, cuja exemplar persistência na lembrança da ausência inexplicada e no esforço de resgatar um filho desaparecido em 4/3/1998, o Rui Pedro, é indesejavelmente, insuportavelmente inspiradora.
O extremo da dor da incerteza de não saber de um filho desaparecido é possivelmente (se é que a dor é mensurável) mais devastador do que sabê-lo morto.
Isso mesmo atesta Filomena, ao sentir e viver, também fisicamente, as consequências dessa trágica ocorrência.
Filomena, uma mulher que nos interpela a todos, de algum modo passivos cúmplices do mal que grassa nas nossas comunidades, quiçá nas nossas casas.
De uma forma singularmente bela e intensa, ela tem resistido a tudo com uma imensa dignidade, mas, sobretudo, tem resistido à indiferença, ao desânimo e ao conformismo. Merece mais do que qualquer pseudo-edificante homenagem, o reconhecimento da solidária dedicação a uma causa que teve que absolutizar, em prejuízo de outros interesses e de outras prioridades.
Continua, Filomena, a iluminar e inquietar as más (e também as boas) consciências oficiais (e as outras).
Tens que saber que te devemos muito. O teu exemplo é de uma impressionante e incomparável coragem.
És daquelas pessoas que um poeta disse, uma vez, serem as «indispensáveis».
Perante isso, como «destragedear» a vida?
20070516
Assim na Terra...
Era ainda o tempo futurível
dos avatares sublimes
e de nos adentrarmos
nessa noite insone
inscrevendo
segredos ágrafos
em cânones sânscritos
era o tempo circular
desde a idade fundacional
à fusão do átomo
e de como não haver amanhã.
dos avatares sublimes
e de nos adentrarmos
nessa noite insone
inscrevendo
segredos ágrafos
em cânones sânscritos
era o tempo circular
desde a idade fundacional
à fusão do átomo
e de como não haver amanhã.
20070515
20070514
Talvez haja uma hipótese...
«Les réserves de main-d'oeuvre bon marché s'épuisent en Chine. Un rapport de l'Académie chinoise des sciences sociales de Pékin tire la sonnette d'alarme : «La Chine est en train de passer d'une ère d'excédent de main-d'oeuvre à une ère de pénurie, qui sera effective d'ici à 2010», rapporte le China Daily de samedi. Estimée jusqu'à présent à 100 ou 150 millions de travailleurs, la réserve d'«ouvriers à tout faire» de moins de 40 ans ne serait plus que de 52 millions, hommes et femmes confondus».
Libération on line, de 14/05/2007.
Libération on line, de 14/05/2007.
20070513
deusa acidental
Não te soubeste anunciar
terrena deusa acidental
incendiando esta mediterrânica
ordem previsível
e o voo sossegado das águias
na surdina
dum ambíguo destino
com a tua ausência
vais adiando
as pressas e anseios
ordinários
tua presença
seria, porém,
incerto sobressalto
numa duradoura
paz imperial
terrena deusa acidental
incendiando esta mediterrânica
ordem previsível
e o voo sossegado das águias
na surdina
dum ambíguo destino
com a tua ausência
vais adiando
as pressas e anseios
ordinários
tua presença
seria, porém,
incerto sobressalto
numa duradoura
paz imperial
20070512
Mão morta - «Cantos de maldoror»
A ver no Theatro Circo, de Braga - 11 e 12 de Maio. 19 de Maio, no C.A.Espectáculos de Portalegre.
20070511
20070510
20070506
A morte, depois de amanhã...
A morte era, antes, invariavelmente mais acidental, mais doméstica, mais testemunhada.
Isto vem a propósito de ter ouvido dizer: "Amanhã, talvez vá a um funeral!...". Dito assim, parece que a morte é coisa programável. E é, de facto.
Alguém, em estado vegetativo e sem retorno a este mundo dos viventes, aguardava que desligassem as máquinas de suporte e apoio à vida.
Só que - desagradável contrariedade - o médico que deveria proceder à operação de «switch off» da máquina não pôde comparecer à hora aprazada. Resultado: a dita intervenção teve de ser adiada para um dia depois.
E, na verdade, o funeral só se realizou no dia seguinte.
Isto vem a propósito de ter ouvido dizer: "Amanhã, talvez vá a um funeral!...". Dito assim, parece que a morte é coisa programável. E é, de facto.
Alguém, em estado vegetativo e sem retorno a este mundo dos viventes, aguardava que desligassem as máquinas de suporte e apoio à vida.
Só que - desagradável contrariedade - o médico que deveria proceder à operação de «switch off» da máquina não pôde comparecer à hora aprazada. Resultado: a dita intervenção teve de ser adiada para um dia depois.
E, na verdade, o funeral só se realizou no dia seguinte.
20070505
Ahmadinejad goes liberal
Mahmoud Ahmadinejad, esse incompreendido, acaba de retirar mais uma avançada proposta, por ter sentido a censura do establishment dos ayatollahs no poder.
Tinha ele fantasiado a vanguardista medida de autorizar a entrada de mulheres - grandes amadoras da modalidade, no Irão (mascarando-se de homens para se introduzir nos recintos desportivos, sujeitando-se a vexatórias penas) - nos estádios de futebol, quando sentiu recair sobre si as reprovadoras críticas dos ortodoxos.
Entretanto, as autoridades de costumes iranianos endureceram a política de padronização de vestuário "aceitável" e outros devaneios pró-ocidentais.
Anteontem foi, ao que li, severamente censurado pela atitude "indecorosa" e "quase lúbrica" de beijar a mão enluvada da sua velha professora.
Depois da libertação dos marinheiros ingleses e destas ideias, alguém teima em afirmar que o homem tem maus instintos?
Tinha ele fantasiado a vanguardista medida de autorizar a entrada de mulheres - grandes amadoras da modalidade, no Irão (mascarando-se de homens para se introduzir nos recintos desportivos, sujeitando-se a vexatórias penas) - nos estádios de futebol, quando sentiu recair sobre si as reprovadoras críticas dos ortodoxos.
Entretanto, as autoridades de costumes iranianos endureceram a política de padronização de vestuário "aceitável" e outros devaneios pró-ocidentais.
Anteontem foi, ao que li, severamente censurado pela atitude "indecorosa" e "quase lúbrica" de beijar a mão enluvada da sua velha professora.
Depois da libertação dos marinheiros ingleses e destas ideias, alguém teima em afirmar que o homem tem maus instintos?
20070504
Estímulo americano
Há dias, o Departamento de Estado (norte-)americano elogiou, num relatório, o trabalho da luta anti-terrorista levada a cabo pelas autoridades portuguesas. Ao que parece, terão sido instauradas umas dezenas de processos por suspeita de branqueamento de dinheiro ligado ao terrorismo.
O ministro da Justiça, A. Costa, apressou-se a classificar a referência como um «estímulo» ao trabalho das polícias portuguesas, designadamente, da P.J.
A verdade é que não há notícia de resultados quanto a tais investigações, que, devendo estar em segredo de justiça, vêm escarrapachados num relatório americano de duvidoso rigor (pelo menos quanto a Portugal).
Mas, mesmo que isso não fosse assim, o que Alípio Ribeiro não esperava era este «estímulo» do «amigo americano».
O que lhe estava guardado...
O ministro da Justiça, A. Costa, apressou-se a classificar a referência como um «estímulo» ao trabalho das polícias portuguesas, designadamente, da P.J.
A verdade é que não há notícia de resultados quanto a tais investigações, que, devendo estar em segredo de justiça, vêm escarrapachados num relatório americano de duvidoso rigor (pelo menos quanto a Portugal).
Mas, mesmo que isso não fosse assim, o que Alípio Ribeiro não esperava era este «estímulo» do «amigo americano».
O que lhe estava guardado...
U.M.R.P.
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 64/2007, de 4 de Maio extiguiu a Unidade de Missão para a Reforma Penal.
Não há mais nada a fazer?
Não há mais nada a fazer?
C.M.L.
Confesso que o folhetim da Câmara de Lisboa não me interessa por aí além. Afinal de contas, não sou alfacinha nem vivo (mas já vivi e trabalhei) em Lisboa. Os incómodos que sofro quando vou à «capital» seriam invariavelmente os mesmos, independentemente dos governantes municipais.
No entanto, sou forçado a reconhecer que apenas Marques Mendes tomou, neste capítulo, uma posição coerente e firme.
Perante uma «(o)posição de direita» inexistente, uma «oposição de esquerda» a apostar numa estratégia de quanto pior melhor, e uma atitude de incompreensível apego ao poder pelo poder, por parte do presidente do executivo, M. Mendes tomou a (única) posição lógica, desassombrada e adequada ao momento: pedir eleições intercalares, para sair do «pântano alfacinha».
Afinal, em matéria de moralidade e ética política ele pode não ter muito a ensinar, mas outros há que têm muito a aprender.
No entanto, sou forçado a reconhecer que apenas Marques Mendes tomou, neste capítulo, uma posição coerente e firme.
Perante uma «(o)posição de direita» inexistente, uma «oposição de esquerda» a apostar numa estratégia de quanto pior melhor, e uma atitude de incompreensível apego ao poder pelo poder, por parte do presidente do executivo, M. Mendes tomou a (única) posição lógica, desassombrada e adequada ao momento: pedir eleições intercalares, para sair do «pântano alfacinha».
Afinal, em matéria de moralidade e ética política ele pode não ter muito a ensinar, mas outros há que têm muito a aprender.
Oitavo dia
O sopro fundador durara sete dias e sete noites
Exangue, o jovem Deus aquietou-se no súbito instante
Em que cada unidade se tornou diferente de outra
E o mar se distinguiu da terra e do céu.
Adormeceu sobre o livro de cada um dos viventes
Que acabara de talhar. Desconfortável, uma ideia de ausência
Sobressaltou-o.
O oitavo dia brilhava quando abriu o capítulo oculto e fez o
homem possuidor da ferramenta matricial: a palavra.
Naquele tempo, pré-Babel, o homem navegou numa só língua
e proclamou universal a descoberta do mistério da vida na
aventura da palavra. Poesia.
J.A.Branco, Pedra Solar.
Exangue, o jovem Deus aquietou-se no súbito instante
Em que cada unidade se tornou diferente de outra
E o mar se distinguiu da terra e do céu.
Adormeceu sobre o livro de cada um dos viventes
Que acabara de talhar. Desconfortável, uma ideia de ausência
Sobressaltou-o.
O oitavo dia brilhava quando abriu o capítulo oculto e fez o
homem possuidor da ferramenta matricial: a palavra.
Naquele tempo, pré-Babel, o homem navegou numa só língua
e proclamou universal a descoberta do mistério da vida na
aventura da palavra. Poesia.
J.A.Branco, Pedra Solar.
20070502
Parabéns, José Eduardo Agualusa
José Eduardo Agualusa ganhou XII Prémio de Ficção Estrangeira do The Independent, com «O Vendedor de Passados».
A distinção britânica da escrita sensível, humorada e elegante de J. E. Agualusa é mais do que merecida. Também fico muito honrado e satisfeito.
A distinção britânica da escrita sensível, humorada e elegante de J. E. Agualusa é mais do que merecida. Também fico muito honrado e satisfeito.
20070430
O afrouxamento da normalidade
«O capitalismo dos nossos dias já ultrapassou a lógica da normalidade totalizante, adoptando agora a lógica do excesso errático: Quanto mais variado, errático mesmo, melhor. A normalidade começa a perder o seu domínio. As regularidades principiam a afrouxar. Este afrouxamento da normalidade faz parte da dinâmica do capitalismo. É a forma de poder do capitalismo. Já não é o poder institucional disciplinar que define tudo, mas sim o poder capitalista de produção de variedade - pois os mercados acabam por se saturar. Produzindo variedade, produzem-se nichos de mercado. As mais bizarras tendências afectivas não são um problema - desde que dêem lucro. O capitalismo começa a intensificar o afecto, mas apenas par disso extrair valor excedente. Apossa-se do afecto para intensificar o potencial de lucro. Valoriza literalmente o afecto».
Slavoy Zizek.
Slavoy Zizek.
20070429
20070427
Rostropovich - «Prelude from Bach's Cello Suite No. 1»
R.I.P. A uma Grande Pessoa, Artista e humanista.
20070426
Polícias politicamente correctas...
Há dias, a PJ deteve uns quantos skinheads, alegadamente detentores de armamento proibido.
Ontem, dia 25 de Abril de 2007, a PSP deteve uma dúzia de indivíduos incivilizados, por desacatos, e também por serem possuidores de material «anarco-libertário» (sic, do relatório policial).
Estou espantado. Nunca as nossas polícias estiveram tão eficazes, mas ao mesmo tempo tão imparciais, isentas e equidistantes.
Ontem, dia 25 de Abril de 2007, a PSP deteve uma dúzia de indivíduos incivilizados, por desacatos, e também por serem possuidores de material «anarco-libertário» (sic, do relatório policial).
Estou espantado. Nunca as nossas polícias estiveram tão eficazes, mas ao mesmo tempo tão imparciais, isentas e equidistantes.
20070423
20070422
20070421
O improvável Holocausto de Liviu Librescu
Em criança, Liviu Librescu foi deportado para um campo de trabalho e depois para um gueto judeu pelo regime nazi alemão. Por recusar fidelidade ao regime comunista romeno, conseguiu emigrar para Israel.
Era professor de engenharia aeronáutica da Universidade Virginia Tech. Foi morto, ao bloquear com o seu corpo a entrada na sua sala de aula, pelo perturbado aluno Cho Seung-Hui, permitindo que os estudantes saíssem pela janela, salvando-se.
Estaria escrito algures que Librescu se libertaria da lei da morte. Viria a perecer, afinal, no mais improvável holocausto da sua vida, salvando outras.
Importa lembrá-lo e venerá-lo como uma das pessoas indispensáveis deste mundo contraditório, assimétrico e, por vezes (demasiadas vezes), absurdo.
Era professor de engenharia aeronáutica da Universidade Virginia Tech. Foi morto, ao bloquear com o seu corpo a entrada na sua sala de aula, pelo perturbado aluno Cho Seung-Hui, permitindo que os estudantes saíssem pela janela, salvando-se.
Estaria escrito algures que Librescu se libertaria da lei da morte. Viria a perecer, afinal, no mais improvável holocausto da sua vida, salvando outras.
Importa lembrá-lo e venerá-lo como uma das pessoas indispensáveis deste mundo contraditório, assimétrico e, por vezes (demasiadas vezes), absurdo.
20070420
Digno de registo
«O diálogo de civilizações é impossível. Sabe porquê? Porque não é igualitário. O Ocidente vive as suas contradições, está velho, cansado. A Europa não tem vigor nem força. O Ocidente já perdeu. Os outros são jovens, vigorosos, têm fé, são fanáticos, têm rancor social. E à sua frente existe um inimigo disposto a negociar durante todo o tempo.O Ocidente entende o diálogo como uma negociação. Eu conheço este mundo e sei que não se pode negociar.
Paradoxalmente, o mais forte não é o Ocidente. E é bom que assim seja. Necessitamos de sangue novo, seria bom que fôssemos invadidos pelos bárbaros de vez em quando. As invasões bárbaras destroem os impérios. Aconteceu em Bizâncio, em Roma, em tantos sítios. Acho que chegou a vez de o Ocidente ser verdadeiramente invadido».
Arturo Pérez-Reverte, Ípsilon de 20/04/2007.
Paradoxalmente, o mais forte não é o Ocidente. E é bom que assim seja. Necessitamos de sangue novo, seria bom que fôssemos invadidos pelos bárbaros de vez em quando. As invasões bárbaras destroem os impérios. Aconteceu em Bizâncio, em Roma, em tantos sítios. Acho que chegou a vez de o Ocidente ser verdadeiramente invadido».
Arturo Pérez-Reverte, Ípsilon de 20/04/2007.
20070419
Basta-me
Basta-me
que existas
posso não te falar
posso não te acariciar
posso até não te ver
porque sei a intensidade
de te sentir
poderei mesmo, por isso
renunciar
a amar-te
todo eu
existo por ti.
que existas
posso não te falar
posso não te acariciar
posso até não te ver
porque sei a intensidade
de te sentir
poderei mesmo, por isso
renunciar
a amar-te
todo eu
existo por ti.
Nick Cave - "into my arms"
Sim. Eu sei que parece que converti este blog numa espécie de tabacaria musical de gosto duvidoso. Mas acho essencial evitar as indesejáveis altas frequências da espuma destes dias. Desculpem dar-vos Música. Sempre é melhor do que uma "caixa de charutos".
20070418
Traição
«Só quem ama se pode converter num traidor. A traição não é o reverso do amor: é uma das suas opções.»
Amos Oz
Amos Oz
20070417
2.º Aniversário
2 - Anos - 2.
Parece incrível, mas faz dois anos que se iniciou este blog.
Não é que seja motivo para festejar, mas fica-me a vaga impressão que não se tratou de um impulso momentâneo e é sinal de que vai havendo alguma coisa a comentar...
Para quem tem vindo, Obrigado.
É possível que continue esta escondida (mas não clandestina) aventura.
Parece incrível, mas faz dois anos que se iniciou este blog.
Não é que seja motivo para festejar, mas fica-me a vaga impressão que não se tratou de um impulso momentâneo e é sinal de que vai havendo alguma coisa a comentar...
Para quem tem vindo, Obrigado.
É possível que continue esta escondida (mas não clandestina) aventura.
20070416
20070415
20070413
20070412
Perplexidades
Confesso que, apesar de uma certa náusea com o folhetim «Sócrates-UnI», não consigo resistir a um comentário.
O 1.º ministro Pinto de Sousa declarou, na entrevista que concedeu à RTP 1 no dia 11 à noite, que havia escolhido a universidade independente para «concluir a licenciatura em engenharia» porque, «...na altura, era uma universidade de prestígio...e ficava perto do ISEL...» (sic.).
Ficou por explicar a razão pela qual, sendo uma universidade (?) tão "prestigiada", os seus cursos não eram reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros...
O 1.º ministro Pinto de Sousa declarou, na entrevista que concedeu à RTP 1 no dia 11 à noite, que havia escolhido a universidade independente para «concluir a licenciatura em engenharia» porque, «...na altura, era uma universidade de prestígio...e ficava perto do ISEL...» (sic.).
Ficou por explicar a razão pela qual, sendo uma universidade (?) tão "prestigiada", os seus cursos não eram reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros...
20070411
De novo, a barbárie do Terror
Ontem em Casablanca. Hoje em Argel, o fanatismo de inspiração islâmica deu novamente mostras da mais demencial e incompreensível obstinação, face a presuntivos inimigos, espalhando o terror nos seus próprios campos, nos seus mais próximos irmãos.
Estamos mais pobres, mais desamparados.
Estamos mais pobres, mais desamparados.
20070409
Don´t let them kill us
Essa foi a mensagem que as candidatas a Miss Sarajevo ostentaram para o Mundo, no concurso durante o cerco da cidade, e que inspirou a canção dos U2.
Bem podia ser a divisa dos que peticionam a moratória imediata para as execuções de pena de morte em todos os Países.
É uma causa que nos deve mobilizar.
Não a moratória, mas a sua total e imediata abolição.
Bem podia ser a divisa dos que peticionam a moratória imediata para as execuções de pena de morte em todos os Países.
É uma causa que nos deve mobilizar.
Não a moratória, mas a sua total e imediata abolição.
20070408
Prophétie
Là où l'aventure garde les yeux clairs
là où les femmes rayonnent de langage
là où la mort est belle dans la main
comme un oiseau
saison de lait
là où le souterrain cueille de sa propre
génuflexion un luxe
de prunelles plus violent que des
chenilles
là où la merveille agile fait flèche et feu
de tout bois
là où la nuit vigoureuse saigne une
vitesse de purs végétaux
là où les abeilles des étoiles piquent
le ciel d'une ruche
plus ardente que la nuit
là où le bruit de mes talons remplit
l'espace et lève
à rebours la face du temps
là où l'arc-en-ciel de ma parole est
chargé d'unir demain
à l'espoir et l'infant à la reine,
d'avoir injurié mes maîtres mordu
les soldats du sultan
d'avoir gémi dans le désert
d'avoir crié vers mes gardiens
d'avoir supplié les chacals et les hyènes
pasteurs de caravanes
je regarde
la fumée se précipite en cheval sauvage
sur le devant
de la scène ourle un instant la lave
de sa fragile queue de paon puis se
déchirant
la chemise s'ouvre d'un coup la poitrine et
je la regarde en îles britanniques en îlots
en rochers déchiquetés se fondre
peu à peu dans la mer lucide de l'air
où baignent prophétiques
ma gueule
ma révolte
mon nom.
Aimé Césaire
20070407
UnI(ver)cidade
Entediante e patético. É o mínimo que se pode dizer sobre a folhetinesca sucessão de aparentes irregularidades, anomalias e disfuncionamentos da assim chamada "universidade independente".
Que nesse tropel de notícias tenha aumentado o «ruído» à volta do diploma académico do 1.º ministro (e eu, que já por várias vezes o designei por «eng.º», título aparentemente inaplicável, mea culpa) parece-me ser uma consequência mais ou menos esperada.
Aliás, estas coincidências nunca são inocentes.
Adensa ainda mais o pântano o simples facto da composição da "nova equipa reitoral" que irá ser apresentada ao ministro Mariano Gago como garante de credibilidade da instituição.
Mas a verdade é que alguém está a dever uma explicação urbi et orbi. Que tarda.
Que nesse tropel de notícias tenha aumentado o «ruído» à volta do diploma académico do 1.º ministro (e eu, que já por várias vezes o designei por «eng.º», título aparentemente inaplicável, mea culpa) parece-me ser uma consequência mais ou menos esperada.
Aliás, estas coincidências nunca são inocentes.
Adensa ainda mais o pântano o simples facto da composição da "nova equipa reitoral" que irá ser apresentada ao ministro Mariano Gago como garante de credibilidade da instituição.
Mas a verdade é que alguém está a dever uma explicação urbi et orbi. Que tarda.
20070406
Morreste(-nos)
No dia do funeral do Zé Alfredo
Morreste(-nos).
Sem aviso prévio.
Sôfrego, como sempre, da vida
que te devorou.
Percorres ainda os caminhos da cidade
no tumulto habitual que nos impregnava de energia.
Tu, inspirado oficiante dos limites do sentir
e experimentador de emoções a haver.
Não. Hoje à noite não passeará o esquife do Senhor morto nas ruas de Braga,
porque enterrámos o teu corpo ao meio-dia.
«Zé..., ao Céu, ao Céu» - ainda ecoa o Padre Azevedo.
Afinal, deixaste-nos em troca de quê?
Foda-se!
Pensas que não fazes falta?
Morreste(-nos).
Sem aviso prévio.
Sôfrego, como sempre, da vida
que te devorou.
Percorres ainda os caminhos da cidade
no tumulto habitual que nos impregnava de energia.
Tu, inspirado oficiante dos limites do sentir
e experimentador de emoções a haver.
Não. Hoje à noite não passeará o esquife do Senhor morto nas ruas de Braga,
porque enterrámos o teu corpo ao meio-dia.
«Zé..., ao Céu, ao Céu» - ainda ecoa o Padre Azevedo.
Afinal, deixaste-nos em troca de quê?
Foda-se!
Pensas que não fazes falta?
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